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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Minc comemora continuidade na queda do desmatamento, mas diz que a "guerra" começa agora


Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 16h21


Ao comentar os dados do desmatamento na região da Amazônia Legal referentes ao mês de maio, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) comemorou a "manutenção da queda do desmatamento" e foi além, prevendo que, em 2009, o Brasil deverá ter um balanço positivo histórico sobre a questão. "Vamos ter o menor desmatamento dos últimos 20 anos", afirmou.
"A guerra é agora, nos próximos meses até agora, quando tem menos chuva e o pessoal desmata mais. No histórico dos últimos dez anos, os piores meses são os de seca", disse Minc. No entanto, o ministro fez uma ressalva em relação ao mês de julho do ano passado, quando a taxa de desmatamento ficou em 323 km2. "A gente vai ter dificuldade de baixar esse número de julho, porque julho do ano passado foi o melhor desde sempre", lembrou o ministério, creditando o resultado ao fim do crédito oficial para desmatadores.

O ministro comparou os números referentes aos cinco primeiros meses do ano passado com o mesmo período deste ano, para destacar a queda constante. Em janeiro de 2008, a taxa de desmatamento na Amazônia foi de 638 km2, enquanto o primeiro mês deste ano registrou 222 km2. No acumulado de 2009, são cerca de 542 km2 desmatados.

"A soma destes cinco meses é menor do que foi verificado em janeiro do ano passado. É metade do número de abril do ano passado (quando foram registrados 1.123 km2 de desmatamento). Não há comparação", ressaltou o ministro.

Em maio, o desmatamento da floresta foi de 123 km2, área equivalente a 16 mil campos de futebol. Os números foram divulgados na manhã desta quarta (24) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base no sistema Deter, que detecta o desmatamento em tempo real.

Desmatamento apontado pelo Inpe (em km2):

Mês 2008 2009
Janeiro 638 222
Fevereiro 724 143
Março 145 17,5
Abril 1.123 36,8
Maio 1.096 123

A cobertura de nuvens na região permitiu visualizar 38% da área. Nos meses anteriores, apenas 20% da floresta puderam ser observados. Isso fez com que o registro do desmatamento fosse baixo nos meses de março e abril: 17 km2 e 37 km2, respectivamente. Em fevereiro, a área desmatada ficou em 143 km2, o que totalizou 197 km2 de floresta desmatada no trimestre.

Para Minc, a alta cobertura de nuvens não pode ser apontada como explicação única para a queda verificada. "A cobertura de nuvens está maior este ano do que no ano passado, mas não está maior do que a queda do desmatamento. A cobertura de nuvens está longíssimo de explicar a queda no desmatamento".

O ministro voltou a creditar a queda às ações de combate ao desmatamento e aos acordos que vem sendo fechados com setores como agricultura e pecuária, que têm influência sobre a preservação da região. "Nós estamos fazendo pactos com o setor produtivo. A soja, por exemplo, parou de desmatar a Amazônia".

O ministério também apresentou o total de multas aplicadas por crimes ambientais este ano. De janeiro até maio, foram 1.102 multas lavradas, que totalizaram R$ 806,4 milhões. As multas foram aplicadas pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal.

fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/24/ult5772u4468.jhtm

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O desmatamento da Amazônia, miragem econômica para os brasileiros

LE MONDE

Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro (Brasil)


Não só o desmatamento progressivo da Amazônia tem consequências nefastas para o meio ambiente do Brasil e do planeta, como ele também não beneficia, a médio prazo, do ponto de vista econômico e humano, as populações que participam dele ou que o acompanham, ao se estabelecerem nas regiões desflorestadas. É essa a conclusão essencial de um estudo de campo conduzido por uma equipe internacional de seis pesquisadores e publicada, na sexta-feira (12), pela revista americana "Science".

Segundo os autores da pesquisa, o desflorestamento leva, em um estágio inicial, a uma melhora de vida das populações locais, que se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice, adotado pela ONU, é calculado a partir de três critérios: a expectativa de vida, o nível de renda e a taxa de alfabetização.

Ele progride tão rápido quanto a média nacional brasileira, ou até mais, ao longo da fronteira do desflorestamento. Mas, à medida que essa fronteira se desloca, os progressos do desenvolvimento humano diminuem: este último encontra nas regiões já desflorestadas um nível comparável - e baixo - àquele registrado nas zonas não desflorestadas.

O desmatamento e a extensão da agricultura e da pecuária às custas da floresta atraem para a fronteira "migrantes" de toda espécie - grandes fazendeiros, pequenos "colonos", camponeses sem-terra, madeireiros, comerciantes, garimpeiros - em busca de lucro ou simplesmente de uma vida melhor. A chegada desses brasileiros, menos pobres que a população local, contribui parcialmente para os progressos do IDH. Mas muitos deles também são mais pobres e menos instruídos que a média nacional. O boom do desenvolvimento se deve então, sobretudo, à exploração dos recursos naturais, facilitada por um melhor escoamento dos produtos graças às novas estradas asfaltadas, e à implantação da rede governamental de educação e saúde.

No entanto, esses progressos são efêmeros. O IDH cai rapidamente nas localidades das regiões desflorestadas, de acordo com o declínio de produtividade das atividades econômicas causado, por exemplo, pelo esgotamento dos recursos madeireiros ou pela degradação dos pastos. O estudo lembra que, no início dos anos 1990, mais de 75% das terras desflorestadas na Amazônia eram dedicadas à pecuária, e mais de um terço já foram abandonadas.

Essa pesquisa foi realizada em 286 municípios, em estágios diversos de desmatamento, que representam a imensa maioria do território e da população amazônica. Ela termina em 2000, ano dos últimos números de recenseamento conhecidos. Conclusão do estudo: "O atual modo de desenvolvimento da Amazônia está muito longe do desejável, seja para os homens, seja para a natureza".

O que fazer? "É preciso combinar as abordagens", explica uma das autoras do estudo, Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva no CNRS de Montpellier. "Valorizar mais as regiões desflorestadas. E, sobretudo, reduzir o desmatamento, promover o reflorestamento nas zonas degradadas, incentivar as populações florestais a conduzirem atividades de desenvolvimento sustentável". Por exemplo, remunerando os serviços voltados ao ecossistema pelos habitantes da floresta, como se começa a fazer no Brasil.

Lista de multinacionais
Em um relatório recente, o Greenpeace destacou que a pecuária intensiva de bovinos é responsável por 80% do desflorestamento. Segundo a organização ecologista, "no decorrer dos últimos anos, um hectare de floresta foi destruído a cada 18 segundos em média pelos criadores de gado". O Brasil se tornou o principal exportador de carne bovina, com um terço da tonelagem mundial.

O Greenpeace critica o governo por incentivar a pecuária, ao ajudar financeiramente as grandes empresas do setor e fechar os olhos para as explorações ilegais. Ele cita uma longa lista de multinacionais, compradoras de produtos provenientes de explorações envolvidas no desflorestamento ilícito.

Um intenso debate opõe atualmente ecologistas e exploradores rurais a respeito de um projeto de lei prestes a ser votado sobre a regularização fundiária na Amazônia. Em princípio - dar uma garantia jurídica aos agricultores, especialmente os mais vulneráveis - , o texto obtém unanimidade em seu favor.

Mas os ecologistas, que têm o apoio do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acusam os parlamentares de terem distorcido o projeto ao introduzirem diversas cláusulas consideradas favoráveis demais ao agronegócio. O ministro espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida em seu favor.

Tradução: Lana Lim

fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/06/16/ult580u3761.jhtm

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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