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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que é seqüestro de carbono?

Cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver nada menos do que 150 a 200 toneladas de carbono.

por Texto Rafael Tonon
É a absorção de grandes quantidades de gás carbônico (CO2) presentes na atmosfera. A forma mais comum de seqüestro de carbono é naturalmente realizada pelas florestas. Na fase de crescimento, as árvores demandam uma quantidade muito grande de carbono para se desenvolver e acabam tirando esse elemento do ar. Esse processo natural ajuda a diminuir consideravelmente a quantidade de CO2 na atmosfera: cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver nada menos do que 150 a 200 toneladas de carbono.
É por essas e outras que o plantio de árvores é uma das prioridades para a diminuição de poluentes na atmosfera terrestre. “A recuperação de áreas plantadas, que foram degradadas durante décadas pelo homem, é uma das possibilidades mais efetivas para ajudar a combater o aquecimento global”, afirma Carlos Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
Porém não é a única: já existem estudos avançados para realizar o que os cientistas chamam de seqüestro geológico de carbono. É uma forma de devolver o carbono para o subsolo. Os gases de exaustão produzidos pelas indústrias são separados através de um sistema de filtros que coletam o CO2. Esse gás é comprimido, transportado e depois injetado em um reservatório geológico apropriado – que podem ser campos de petróleo maduros (já explorados ou em fase final de exploração), aqüíferos salinos (lençóis de água subterrânea com água salobra não aproveitável) ou camadas de carvão que foram encontradas no solo. (veja infográfico ao lado)
“Os reservatórios geológicos são altamente eficazes para aprisionar fluidos em profundidade. Do contrário, o forte terremoto que causou o tsunami na Ásia teria rompido diversos depósitos geológicos naturais. No entanto, nenhum campo de gás natural ou petróleo vazou”, explica o geólogo José Marcelo Ketzer, coordenador do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono (Cepac). Ketzer lembra ainda que os campos de petróleo ou gás natural guardaram esses fluidos por milhões de anos e que eles permaneceriam intactos se o homem não resolvesse trazê-los para a superfície.

Solução que vem da terra

Saiba como é possível seqüestrar o carbono do ar e deixá-lo enterrado para sempre, no cativeiro
O gás carbônico é separado no processo de exaustão das indústrias por meio de um sistema de filtros. Esse gás é comprimido e transportado até um local geológico. Ali, o gás é injetado em 3 tipos de reservatório: campos de petróleo maduros (já explorados ou em fase final de exploração), aqüíferos salinos (lençóis de água subterrânea com água salobra não aproveitável) ou camadas de carvão.
1. Nas árvores
Em fase de crescimento, as árvores são verdadeiros aspiradores de CO 2 da atmosfera. O tronco de uma árvore é 80% composto de carbono, portanto não é de admirar que elas suguem, por hectare, 150 a 200 toneladas de CO 2 do ar. Uma árvore, sozinha, é capaz de absorver 180 quilos de CO 2.
2. Camadas de carvão
Assim como nos campos de petróleo, a injeção de carbono em reservas de carvão também pode ser lucrativa: o carvão retém o CO 2 e libera no processo o gás natural, que pode ser explorado e comercializado. Nos depósitos localizados em profundidades muito grandes, o gás carbônico pode ser armazenado.
3. Campos de petróleo
Os poços maduros, onde não há mais produção de petróleo e gás, podem se transformar em grandes depósitos de CO 2. Seria dar apenas mais um passo, uma vez que as petrolíferas já injetam o gás carbônico em campos maduros de petróleo para, por intermédio dessa pressão, aumentar o potencial de extração neles.
4. Aqüíferos salinos
Nestes enormes mantos de água no subsolo, a água é tão salobra que não serve para o consumo. Dessa forma, eles seriam uma ótima alternativa para estocar carbono. Trata-se das formações com mais capacidade de armazenar CO 2: os especialistas estimam que os aqüíferos possam reter até 10 mil gigatoneladas do gás.


fonte de origem: revista super interessante

domingo, 29 de novembro de 2009

Frescura no telhado. Cobrindo o teto com vegetação.

Pesquisa prova que prédios cobertos por vegetação podem esfriar as cidades

por Tiago Cordeiro
Que a vegetação é fundamental para reduzir a temperatura nas cidades, disso ninguém duvida. Mas dois pesquisadores da Universidade Cardiff, no País de Gales, resolveram calcular como cidades diferentes seriam beneficiadas. Phillip Jones, diretor da Escola Welsh de Arquitetura, e a arquiteta Eleftheria Alexandri simularam no computador os efeitos em 9 metrópoles caso elas cobrissem o teto de todos os seus edifícios com vegetação. Eles perceberam que, dependendo do lugar, a temperatura local poderia cair de 3,6 a 11,3 graus. Quanto mais quente a cidade, maior o efeito refrescante.
Isso acontece por dois motivos. Em primeiro lugar, a vegetação absorve menos calor do que o concreto. “Superfícies quentes aquecem o ar à sua volta e têm uma grande influência sobre a temperatura local”, diz Phillip Jones. Além disso, a transpiração das árvores aumenta a umidade do ar, e, dessa forma, também reduz a temperatura. Muros verdes também produzem um efeito parecido, mas telhados são mais eficientes, já que cobrem uma área de exposição ao sol bem maior.
“Além de reduzir o calor, em regiões quentes as coberturas verdes diminuem consideravelmente o consumo de energia com o uso de ar-condicionado”, diz Jones. E consumo menor de energia significa menos poluição, principalmente nos países que usam usinas termoelétricas. Veja o que aconteceria em 6 cidades de acordo com a simulação dos dois especialistas.


Fonte de Origem:

http://super.abril.com.br/ecologia/frescura-telhado-cobrindo-teto-vegetacao-447345.shtml

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Envenenamento – Crime Ambiental


Os envenenamentos lideram o “ranking” de mortes abruptas e os animais de pequeno porte são mais vulneráveis a esse tipo perigos

Envenenamentos são ocorrências comuns nas clínicas veterinárias. Os gatos sofrem mais com envenenamentos, propositais ou não. No entanto, as clínicas recebem mais casos de cães envenenados.

A veterinária Renata Sardito, da clínica CPNA – Centro de Planejamento de Natalidade Animal, em São Paulo, explica: “Os gatos são mais atingidos por toda forma de violência e não é diferente no caso dos venenos. Mas, apesar disso, os cães vêm em maior quantidade à clínica para atendimento emergencial, porque os gatos costumam passear sozinhos, acabam ingerindo veneno fora de casa e morrendo sem socorro. Enquanto que os cães, normalmente, são envenenados no próprio quintal de casa ou nos passeios com o proprietário, facilitando a descoberta do envenenamento.”

Mortes por envenenamento lideram o “ranking” de mortes abruptas, seguidos por mortes por atropelamento. Os envenenamentos mais comuns acontecem com rodenticidas anticoagulantes, os mata-ratos e com estricnina.

“Através dos sintomas é possível ter uma ideia do veneno usado. Por exemplo: com rodenticidas anticoagulantes, o animal tem hemorragia, as mucosas ficam pálidas, ocorre letargia e depressão. Com a estricnina ocorrem convulsões, rigidez muscular, taquicardia, hipertermia, apneia e vômito”, diz Renata.

No Brasil, uma portaria de 1980 proíbe produtos contendo estricnina, que figura na lista da Anvisa de substâncias proscritas no país. No entanto, há locais que comercializam o veneno ilegalmente.
Nos envenenamentos por inseticidas, os sintomas são salivação, lacrimação, diarreia, vômito, constrição das pupilas, contrações musculares, respiração asmática, convulsões e coma.

Outras substâncias que os proprietários podem considerar inofensivas também são culpadas por intoxicações de pequenos animais: remédios de uso humano; aspirina, mertiolate e água boricada, por exemplo. Sprays e inseticidas, desinfetantes, ceras e outros produtos de limpeza usados em casa podem também intoxicar o animal. Além disso, muitos proprietários ainda medicam seus animais com produtos de uso humano.

A veterinária relata um caso marcante que atendeu, em que o animal foi envenenado com chumbo e outro rodenticida anticoagulante, conforme verificou através da necropsia. “A pessoa que o envenenou provavelmente não sabia que ‘chumbinho’ é o nome popular de um tipo de veneno; e não o chumbinho usado como munição”, diz ela.

O chumbinho ou veneno 1080 é um dos venenos mais conhecidos pelo público, à base de estricnina. Muito utilizado no combate aos ratos, o monofluoracetato de sódio é considerado o mais perigoso do mundo porque não tem cor, cheiro ou sabor; é altamente solúvel em água e facilmente absorvido pela pele. Não há nenhum antídoto conhecido e uma colher de chá do veneno pode matar até 100 pessoas adultas.

A morte provocada pelo 1080 é difícil de determinar já que os sintomas se parecem com aqueles de um ataque cardíaco. Os sintomas aparecem cerca de 30 minutos após a exposição ao produto e a morte pode acontecer entre duas e sete horas. Vale ressaltar que o chumbinho pode ter várias composições, além das citadas acima, de acordo com a região do país em que é encontrado.

O chumbinho não mata apenas o animal envenenado, mas também os outros que estiverem dentro da sua cadeia alimentar. No Brasil, são registradas cerca de 200 mortes de crianças causadas pelo chumbinho por ano.

Envenenamentos provocados por mais de um tipo de veneno são uma prática comum, o que dificulta o socorro rápido. “Às vezes, os ‘agressores’ misturam dois ou mais venenos diferentes em uma mesma isca. O animal começa a ter vários sintomas, dificultando a identificação dos venenos. Neste caso eu costumo usar todos os antídotos juntos”, reforça a veterinária.

O envenenamento de animais está previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605, de 13/02/98). O artigo 32 da lei diz que é considerado crime ambiental “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”. A pena prevista é detenção de três meses a um ano e multa.

Agradecimentos a Renata Sanita Ardito, médica veterinária do CPNA (Centro de Planejamento de Natalidade Animal) especializada em esterilização.





FONTE:http://www.pequenoscaes.com.br/envenenamento.php

sábado, 18 de julho de 2009

Minipeixe-elétrico usa energia como radar de localização

Animal vive na Amazônia e é parente do poraquê.
Eletricidade do peixinho é menor que 1 volt.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em Manaus

Quem vê o peixinho sarapó pela primeira vez tem a impressão de que ele é um filhote do poraquê, o temido peixe-elétrico da Amazônia. E ele é quase isso. Com apenas 10 centímetros de comprimento, o minipeixe-elétrico é parente próximo do poraquê, e também consegue produzir energia elétrica.

Sarapó emite energia continuamente, mas a eletricidade gerada pelo peixinho não chega a 1 volt. A energia dispersada por ele serve como um radar: ajuda o animal a se localizar e a encontrar outros bichos. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Como é um animal de hábitos noturnos, o sarapó não pode depender da luz para se locomover. Por isso, a energia gerada pelo peixinho serve como um radar: ajuda o bicho a se localizar, encontrar presas, defender o território e arrumar namoradas.

Diferente do seu primo poraquê, o sarapó emite pouca energia, que não chega a alcançar um volt e não tem capacidade para ser percebida por seres humanos. Ele vive em águas rasas da Amazônia e se alimenta de insetos, moluscos e outros peixinhos.

Osciloscópio mostra ondas de energia emitidas por duas espécies diferentes de sarapós. Existem pelo menos 130 tipos diferentes do 'mini peixe-elétrico', e cada espécie emite energia com frequência diferente. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Um aquário com três espécies de sarapós – são mais de 130 conhecidas – estava exposto na mostra promovida pelo Museu da Amazônia (Musa) durante a reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Manaus

O poraquê, 'primo mais velho' do sarapó, também é conhecido como peixe-elétrico. Ele também usa a eletricidade para se localizar, mas quando quer caçar ou se defender, é capaz de dar grandes choques de uma só vez. Cada descarga elétrica do poraquê pode chegar a 600 volts. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Fonte:http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1232766-16052,00-MINIPEIXEELETRICO+USA+ENERGIA+COMO+RADAR+DE+LOCALIZACAO.html

sábado, 27 de junho de 2009

Navegação sustentável

De olho na preservação do meio ambiente, surgem barcos abastecidos por energia solar e biodiesel

NATÁLIA LEÃO


ESTIMA-SE QUE CERCA de 8,4 milhões de toneladas de petróleo sejam lançadas ao mar todo ano. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta verificar que apenas quatro litros de petróleo despejados ao mar podem poluir aproximadamente 378 milhões de litros de água, o equivalente ao consumo de 50 pessoas durante um ano.

Dados do Greenpeace apontam que os recursos terrestres, como refinarias e instalações petroquímicas costeiras, além de resíduos urbanos, sejam responsáveis por 44% dos poluentes que entram nos mares, enquanto os depósitos na atmosfera, gases e substâncias químicas que se acumulam no ar, respondem por 33% e o transporte marítimo é responsável por 12%. Se depender do suíço Raphaël Domjan, 35 anos, este último índice será reduzido a zero. Domjan lidera o Planet Solar, um projeto avaliado em 6 milhões de euros que prevê a criação de um barco movido a energia solar. O objetivo é iniciar uma volta ao mundo a bordo da embarcação até o fim de 2009. "Em 2002 tive a oportunidade de navegar um barco abastecido com energia solar e percebi como aquilo era pouco utilizado e divulgado. A energia solar não é uma utopia, por isso resolvi mostrar a todos, por meio do Planet Solar, que esta tecnologia é viável e competitiva", disse Domjan à DINHEIRO.


EARTHRACE:
lancha movida a biodiesel foi criada pelo neozelandês Pete Bethune (foto) e deu a volta ao mundo em 60 dias

Para dar vida ao barco, Domjan conta com o patrocínio do Fundo de Investimentos Suíço Rivendell, além de parcerias com empresas privadas e uma equipe de 30 funcionários. O Planet Solar terá 31 metros de comprimento, 15 metros de largura, seis de altura e deslocará 60 toneladas em alto-mar. Como ele demandará muita energia, os designers pensaram em uma solução para capturar o máximo de luz solar. Por isso, eles criaram um barco recoberto por 470 metros quadrados de painéis fotovoltaicos, que captarão a luz do sol e a transformarão em eletricidade. Se o sol incidir nos painéis durante oito horas diárias, serão produzidos 827,2 kW/h de energia - o suficiente para abastecer uma casa com quatro moradores durante um mês. "Essa energia será armazenada em baterias e garantirá de três a quatro dias de navegação sem recarga", explica Domjan. O interior do barco será dividido em quatro cabines, um banheiro e uma cozinha. Do lado de dentro, tudo funcionará com a energia do sol, inclusive chuveiros, iluminação e utensílios domésticos.

"Projetos como este são muito bem-vindos", afirma Ricardo Baitelo, coordenador de campanha de energias renováveis do Greenpeace. "No futuro, a energia fóssil vai se tornar mais cara e escassa. Com o aumento da escala, a energia renovável ficará mais barata e poderá se tornar competitiva." De acordo com dados do Instituto de Estudos Energéticos da USP, os combustíveis fósseis - carvão, petróleo e gás natural - representam atualmente mais de 80% de toda a energia consumida no mundo, a energia nuclear surge com 6,6% e as fontes renováveis com 13,6%. Apesar do avanço nas pesquisas, há quem ache que esta é uma realidade muito distante. "Não vejo um interesse dos estaleiros e da indústria náutica em serem ecologicamente corretos. O custo de pesquisa para produzir um barco com autonomia movido a energia solar seria muito alto", afirma Jorge Nasser, vice-presidente da Acobar, Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos. Existem, contudo, empresas que estão remando contra essa maré.

PLANET SOLAR:
o barco será recoberto por 470 m2 de painéis fotovoltaicos, que captarão luz solar e a transformarão em energia

Em junho do ano passado, o barco Earthrace bateu o recorde mundial ao ser a primeira lancha a dar a volta ao mundo em 60 dias, 23 horas e 49 minutos. Além de ser a primeira embarcação do tipo a completar o percurso em tão pouco tempo, o Earthrace inovou ao realizar o trajeto com motor movido a biodiesel. O objetivo do idealizador do projeto, o neozelandês Pete Bethune, está longe de ser o de desafiar os limites da velocidade. Exfuncionário de uma empresa que atua no setor petrolífero, ele só quis mostrar ao mundo que o uso de energias renováveis é confiável. "Só quero divulgar a ideia de que as pessoas podem levar suas vidas de maneira sensacional e ainda assim cuidar melhor do meio ambiente. Tudo que elas têm que fazer é pensar um pouco mais no que fazem", reforçou Bethune.

O Earthrace custou 3 milhões de euros e foi pensado para evitar agressões à natureza - partes do barco foram construídas com fibras de cânhamo, planta da família das Canabis; a pintura utilizada é biodegradável; os lubrificantes utilizados pelos motores são de fontes vegetais; as roupas da tripulação foram confeccionadas com algodão biológico e a alimentação da equipe foi composta de ingredientes orgânicos de cada local onde o barco aportou. Hoje, o Earthrace é vendido por US$ 1,5 milhão. Quanto ao Planet Solar, quando ele deixar as pranchetas para invadir o mar, será possível comprar ingressos para participar de alguns dos trechos de sua trajetória.

Fonte:http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/598/artigo129105-1.htm

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Minc comemora continuidade na queda do desmatamento, mas diz que a "guerra" começa agora


Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 16h21


Ao comentar os dados do desmatamento na região da Amazônia Legal referentes ao mês de maio, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) comemorou a "manutenção da queda do desmatamento" e foi além, prevendo que, em 2009, o Brasil deverá ter um balanço positivo histórico sobre a questão. "Vamos ter o menor desmatamento dos últimos 20 anos", afirmou.
"A guerra é agora, nos próximos meses até agora, quando tem menos chuva e o pessoal desmata mais. No histórico dos últimos dez anos, os piores meses são os de seca", disse Minc. No entanto, o ministro fez uma ressalva em relação ao mês de julho do ano passado, quando a taxa de desmatamento ficou em 323 km2. "A gente vai ter dificuldade de baixar esse número de julho, porque julho do ano passado foi o melhor desde sempre", lembrou o ministério, creditando o resultado ao fim do crédito oficial para desmatadores.

O ministro comparou os números referentes aos cinco primeiros meses do ano passado com o mesmo período deste ano, para destacar a queda constante. Em janeiro de 2008, a taxa de desmatamento na Amazônia foi de 638 km2, enquanto o primeiro mês deste ano registrou 222 km2. No acumulado de 2009, são cerca de 542 km2 desmatados.

"A soma destes cinco meses é menor do que foi verificado em janeiro do ano passado. É metade do número de abril do ano passado (quando foram registrados 1.123 km2 de desmatamento). Não há comparação", ressaltou o ministro.

Em maio, o desmatamento da floresta foi de 123 km2, área equivalente a 16 mil campos de futebol. Os números foram divulgados na manhã desta quarta (24) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base no sistema Deter, que detecta o desmatamento em tempo real.

Desmatamento apontado pelo Inpe (em km2):

Mês 2008 2009
Janeiro 638 222
Fevereiro 724 143
Março 145 17,5
Abril 1.123 36,8
Maio 1.096 123

A cobertura de nuvens na região permitiu visualizar 38% da área. Nos meses anteriores, apenas 20% da floresta puderam ser observados. Isso fez com que o registro do desmatamento fosse baixo nos meses de março e abril: 17 km2 e 37 km2, respectivamente. Em fevereiro, a área desmatada ficou em 143 km2, o que totalizou 197 km2 de floresta desmatada no trimestre.

Para Minc, a alta cobertura de nuvens não pode ser apontada como explicação única para a queda verificada. "A cobertura de nuvens está maior este ano do que no ano passado, mas não está maior do que a queda do desmatamento. A cobertura de nuvens está longíssimo de explicar a queda no desmatamento".

O ministro voltou a creditar a queda às ações de combate ao desmatamento e aos acordos que vem sendo fechados com setores como agricultura e pecuária, que têm influência sobre a preservação da região. "Nós estamos fazendo pactos com o setor produtivo. A soja, por exemplo, parou de desmatar a Amazônia".

O ministério também apresentou o total de multas aplicadas por crimes ambientais este ano. De janeiro até maio, foram 1.102 multas lavradas, que totalizaram R$ 806,4 milhões. As multas foram aplicadas pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal.

fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/24/ult5772u4468.jhtm

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O desmatamento da Amazônia, miragem econômica para os brasileiros

LE MONDE

Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro (Brasil)


Não só o desmatamento progressivo da Amazônia tem consequências nefastas para o meio ambiente do Brasil e do planeta, como ele também não beneficia, a médio prazo, do ponto de vista econômico e humano, as populações que participam dele ou que o acompanham, ao se estabelecerem nas regiões desflorestadas. É essa a conclusão essencial de um estudo de campo conduzido por uma equipe internacional de seis pesquisadores e publicada, na sexta-feira (12), pela revista americana "Science".

Segundo os autores da pesquisa, o desflorestamento leva, em um estágio inicial, a uma melhora de vida das populações locais, que se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice, adotado pela ONU, é calculado a partir de três critérios: a expectativa de vida, o nível de renda e a taxa de alfabetização.

Ele progride tão rápido quanto a média nacional brasileira, ou até mais, ao longo da fronteira do desflorestamento. Mas, à medida que essa fronteira se desloca, os progressos do desenvolvimento humano diminuem: este último encontra nas regiões já desflorestadas um nível comparável - e baixo - àquele registrado nas zonas não desflorestadas.

O desmatamento e a extensão da agricultura e da pecuária às custas da floresta atraem para a fronteira "migrantes" de toda espécie - grandes fazendeiros, pequenos "colonos", camponeses sem-terra, madeireiros, comerciantes, garimpeiros - em busca de lucro ou simplesmente de uma vida melhor. A chegada desses brasileiros, menos pobres que a população local, contribui parcialmente para os progressos do IDH. Mas muitos deles também são mais pobres e menos instruídos que a média nacional. O boom do desenvolvimento se deve então, sobretudo, à exploração dos recursos naturais, facilitada por um melhor escoamento dos produtos graças às novas estradas asfaltadas, e à implantação da rede governamental de educação e saúde.

No entanto, esses progressos são efêmeros. O IDH cai rapidamente nas localidades das regiões desflorestadas, de acordo com o declínio de produtividade das atividades econômicas causado, por exemplo, pelo esgotamento dos recursos madeireiros ou pela degradação dos pastos. O estudo lembra que, no início dos anos 1990, mais de 75% das terras desflorestadas na Amazônia eram dedicadas à pecuária, e mais de um terço já foram abandonadas.

Essa pesquisa foi realizada em 286 municípios, em estágios diversos de desmatamento, que representam a imensa maioria do território e da população amazônica. Ela termina em 2000, ano dos últimos números de recenseamento conhecidos. Conclusão do estudo: "O atual modo de desenvolvimento da Amazônia está muito longe do desejável, seja para os homens, seja para a natureza".

O que fazer? "É preciso combinar as abordagens", explica uma das autoras do estudo, Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva no CNRS de Montpellier. "Valorizar mais as regiões desflorestadas. E, sobretudo, reduzir o desmatamento, promover o reflorestamento nas zonas degradadas, incentivar as populações florestais a conduzirem atividades de desenvolvimento sustentável". Por exemplo, remunerando os serviços voltados ao ecossistema pelos habitantes da floresta, como se começa a fazer no Brasil.

Lista de multinacionais
Em um relatório recente, o Greenpeace destacou que a pecuária intensiva de bovinos é responsável por 80% do desflorestamento. Segundo a organização ecologista, "no decorrer dos últimos anos, um hectare de floresta foi destruído a cada 18 segundos em média pelos criadores de gado". O Brasil se tornou o principal exportador de carne bovina, com um terço da tonelagem mundial.

O Greenpeace critica o governo por incentivar a pecuária, ao ajudar financeiramente as grandes empresas do setor e fechar os olhos para as explorações ilegais. Ele cita uma longa lista de multinacionais, compradoras de produtos provenientes de explorações envolvidas no desflorestamento ilícito.

Um intenso debate opõe atualmente ecologistas e exploradores rurais a respeito de um projeto de lei prestes a ser votado sobre a regularização fundiária na Amazônia. Em princípio - dar uma garantia jurídica aos agricultores, especialmente os mais vulneráveis - , o texto obtém unanimidade em seu favor.

Mas os ecologistas, que têm o apoio do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acusam os parlamentares de terem distorcido o projeto ao introduzirem diversas cláusulas consideradas favoráveis demais ao agronegócio. O ministro espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida em seu favor.

Tradução: Lana Lim

fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/06/16/ult580u3761.jhtm

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Onde a biodiversidade está mais ameaçada no planeta?



por Paulo Gama

Considerando a porcentagem de vegetação original destruída, a bacia do mar Mediterrâneo é a região mais agonizante do planeta: apenas 4,7% da área original segue intacta e 32 espécies de animais endêmicas (que só existem no próprio lugar) estão ameaçadas de extinção. Mas neste ranking ingrato há outras nove regiões com mais de 90% do território original destruído (veja o mapa ao lado). Elas fazem parte de uma lista de 34 regiões definidas por organizações ambientais como as mais importantes para a conservação da biodiversidade mundial. São os hotspots: locais que possuem ao menos 1 500 espécies de plantas endêmicas e já perderam 70% ou mais de suas áreas originais. Juntas, as 34 regiões ocupam menos de 3% da superfície do planeta, mas concentram 50% de todas as espécies vegetais e 42% de todos os vertebrados da Terra. "Você acaba com a força de evolução do planeta quando interrompe de maneira tão abrupta a existência dessas regiões riquíssimas", afirma a bióloga Monica Fonseca, da ONG Conservation International do Brasil. Duas dessas regiões estão no Brasil: a mata Atlântica, com 8% da cobertura original, e o cerrado, com 20%.

Os 10 pontos mais críticos
Nestas regiões pelo menos 90% da cobertura original já foi destruída
Caribe

Concentra diversos ecossistemas, como florestas tropicais e regiões semi-áridas

Extensão original - 229 549 km2

Extensão atual - 22 955 km2 (10% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 209

Principal ameaça - Desmatamento para agricultura e inserção de espécies estrangeiras

Bacia do Mediterrâneo

Originalmente, apresentava uma flora quatro vezes maior do que a de todo o resto do continente europeu

Extensão original - 2 085 292 km2

Extensão atual - 98 009 km2 (4,7% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 34

Principal ameaça - Ocupação humana

Mata AtlÂntica

A floresta tropical que cobre grande parte da costa brasileira atinge também o território de nossos vizinhos Uruguai, Paraguai e Argentina

Extensão original - 1 233 875 km2

Extensão atual - 99 944 km2 (8,1% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 90

Principal ameaça - Ocupação humana

Chifre da África

Região árida, é o habitat da maioria das espécies de antílopes do mundo

Extensão original - 1 659 363 km2

Extensão atual - 82 968 km2 (5% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 18

Principal ameaça - Desmatamento para pastagem e extração mineral

Montanhas do sudOeste chinês

Habitat original de uma das mais ricas faunas de clima temperado, a região tem altitudes que podem chegar a 7558 metros

Extensão original - 262 446 km2

Extensão atual - 20 996 km2 (8% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 8

Principal ameaça - Caça, extração de madeira e queimadas para a criação de pastos

Florestas da costa leste africana

Concentra florestas secas e úmidas, que abrigam uma grande variedade de primatas

Extensão original - 291 250 km2

Extensão atual - 29 125 km2 (10% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 12

Principal ameaça - Desmatamento para agricultura

Filipinas

As mais de 7 mil ilhas que compõem o arquipélago eram cobertas originalmente por extensas florestas tropicais

Extensão original - 297 179 km2

Extensão atual - 20 803 km2 (7% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 151

Principal ameaça - Extração de madeira

Indochina

Coberta principalmente pelas florestas tropicais do Sudeste Asiático. Apesar da devastação, nos últimos 12 anos foram descobertas seis novas espécies de mamíferos

Extensão original - 2 373 057 km2

Extensão atual - 118 653 km2 (5% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 78

Principal ameaça - Desmatamento para agricultura e extração madeira

Madagascar

A ilha africana tem grande diversidade de ecossistemas, como florestas tropicais e secas e um deserto

Extensão original - 600 461 km2

Extensão atual - 60 046 km2 (10% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 169

Principal ameaça - Erosão gerada pelo desmatamento

Sundaland

A região, que cobre a Indonésia, a Malásia e outras ilhas do arquipélago do Sudeste Asiático, é dominada pelas florestas tropicais

Extensão original - 1 501 063 km2

Extensão atual - 100 571 km2 (6,7% da cobertura original)

Espécies endêmicas ameaçadas - 162

Principal ameaça - Extração de madeira

FONTE:
http://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/pergunta_287728.shtml


http://www.jornallivre.com.br/images_enviadas/globalizacao-e-o-meio-ambiente.jpg

Sem saco para embalagem



Por Marcia Bindo

Ao voltar das compras do mercado, repare na quantidade de lixo que você gera ao retirar tudo das embalagens para guardar a comida no armário. É muita caixa, pacote, saco plástico, tudo vazio, jogado fora. Foi assim que, ao chegar em casa com as compras, a inglesa Catherine Conway teve uma ideia bem sacada enquanto retirava o arroz da embalagem: uma loja que vendesse tudo a granel. Nada de pacotes. Abriu então a Unpackaged, em Londres (http://beunpackaged.com ). O lugar parece um armazém de bairro, daqueles do início do século passado. Os clientes levam suas embalagens de casa e colocam os alimentos ali dentro. Quem se esquecer – ou não tiver um contêiner adequado – pode levar a embalagem emprestada da loja, com o compromisso de devolvê-la depois. Só que daí a conta fica um pouco mais cara. “Funciona melhor se as pessoas descobrirem que podem economizar reaproveitando embalagens”, diz Catherine, que também se preocupa com a qualidade do que vende: só comida orgânica, fresquinha, que faz um bem danado. Para você e para o mundo.

Fonte:http://vidasimples.abril.uol.com.br/edicoes/080/mente_aberta/conteudo_470648.shtml

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Catar ventos" para gerar energia!


"Catar ventos" para gerar energia!

Brasília, 4 de junho de 2009

As alterações climáticas e o alerta para a busca de soluções renováveis de energia são, hoje, preocupações de diversos países. No Brasil, a atenção para essa questão se deu, basicamente, após os choques do petróleo ocorridos na década de 70. Os ventos também estão no caminho do desenvolvimento limpo. Os primeiros aerogeradores foram instalados, em 1992, em Fernando de Noronha (pequeno porte) e, em 1994, em Minas Gerais (grande porte). Hoje, 0,4% da matriz energética do país é composta por energia eólica.

As turbinas eólicas podem estar ligadas à rede elétrica, suprir a demanda por eletricidade de pequenas comunidades isoladas, como as da Amazônia, ou ainda servir para trabalhos mecânicos como o bombeamento de água (cataventos ou moinhos).

O primeiro país a investir em energia eólica foi a Dinamarca, mas a sua capacidade se esgotou em virtude de espaço territorial. Hoje, o país gera 3.000 MW e começa a instalar turbinas em alto-mar (off-shore).

Nessa direção estão, atualmente, em primeiro lugar, os Estados Unidos com uma capacidade de geração de instalação de 25.170 MW, em segundo lugar a Alemanha com 23.900 MW, e logo depois a Espanha com 16.754 MW. Em quarto e quinto lugares estão: a China, com 12.340 MW, e a Índia, com 9.587MW. Em 2008, os países que mais cresceram foram: Estados Unidos (8.360 MW), China (6.300 MW) e Índia (1.800 MW).

O Confea está atento às questões do meio ambiente, promovendo debates sobre a produção de energias limpas no Brasil. Em 2008, atuou fortemente para trazer ao país o Congresso Mundial de Engenheiros (WEC 2008), realizado em Brasília. Na exposição tecnológica (ExpoWEC), cujo tema foi “Energia para o Futuro”, os visitantes puderam conhecer um gerador de energia eólica dos mais modernos, com motor menos barulhento e menor desgaste devido à baixa rotação.

Brasil tem grande potencial eólico
“O Brasil deve sinalizar para um programa de governo que contemple a energia eólica, como fizeram Estados Unidos e Espanha, para atrair novos investidores, gerar maior competitividade e, consequentemente, melhores preços. Estamos lutando para um programa 10-10, que significa 10 GW ao longo de 10 anos. O compromisso de governo da comunidade europeia, por exemplo, é um programa 20-20 – que significa ter 20% da matriz energética com eólica até 2020, ou seja, em 11 anos. É um compromisso bem mais ambicioso”, ressaltou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEólica), Pedro Perrelli.

O estudo ‘Atlas Eólico Brasileiro’, produzido pelo CEPEL/Sistema Eletrobrás, apontou o potencial existente no país: 143 GW ou 143.000 MW. Mas a revisão desse estudo deve mostrar um número mais representativo, de cerca de 300 GW. O litoral do Nordeste, o centro da Bahia, o norte de Minas Gerais e o extremo sul do Brasil são regiões propícias para a geração de eletricidade por meio dos ventos. “A utilização do petróleo deve ser preservada para atividades mais nobres, pois temos alternativas como as três irmãs: hidrelétrica, eólica e biomassa da cana-de-açúcar. As três formas são complementares: em época de seca, há a colheita da cana-de-açúcar e a abundância de ventos. Em época de chuvas, venta pouco e não há colheita”.

O diretor-executivo da ABEeólica, Pedro Perrelli, explica ainda que a energia eólica é cara se comparada com a hidrelétrica. Se comparada com as usinas termelétricas a óleo, a eólica é 15 a 20% mais barata. Ele ressalta que a produção só irá decolar com incentivos, como aconteceu na Espanha.

“Para cada um euro investido, a Espanha teve um retorno de 7,6 euros. Também foram gerados 37 mil empregos e houve uma redução da importação de petróleo da ordem de um bilhão de euros, sem contar a redução dos gases causadores do efeito estufa. A energia eólica dá independência em relação ao petróleo, pode contribuir junto à água para não termos apagão, além de proteger o meio ambiente”, afirmou Pedro.

Embora tímidos, os investimentos para esse tipo de energia no Brasil devem aumentar com a realização, no dia 25 de novembro, do Leilão de Energia de Reserva 2009 – Eólica promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) - órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. O edital será divulgado em breve pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De 4 a 6 de junho, os entraves e as demandas para a geração de energia eólica serão discutidos no Fórum Nacional Eólico: A Carta dos Ventos, realizado no Pestana Natal Resort.

Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea

terça-feira, 2 de junho de 2009

Caçadores buscam beija-flor raro para comer seu coração

Pesquisadores calculam que restam apenas 2 mil exemplares do mirabilis.
Pássaro da Amazônia peruana é mistura de colibri com pavão.


Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

Em um dos pontos mais altos da Amazônia, onde ela se mistura com a Cordilheira dos Andes, agricultores peruanos convivem com uma raridade da fauna: o beija-flor mirabilis. O maravilhoso, como preferem chamar os especialistas em pássaros. Não é fácil encontrá-lo. É um animal exclusivo desta área. Ocupa uma faixa de 200 quilômetros de extensão, entre dois e três mil metros de altitude.

De acordo com os biólogos, atualmente não há mais do que 2 mil colibris mirabilis em toda a natureza. A população tem diminuído muito nos últimos anos. É que, embora seja uma espécie raríssima, é um animal muito perseguido pelos caçadores. O bichinho foi parar na lista dos mais ameaçados de extinção. A caça é para comer o coração do mirabilis - onde, segundo uma lenda, há propriedades afrodisíacas.

Um engenheiro agrônomo da região transformou seu sítio em reserva particular. Quer ajudar a proteger o animal. O beija-flor gosta muito de uma espécie de orégano da montanha que tem bastante na reserva. Gosta também de vasos com água açucarada. É desse jeito que alguns produtores costumam atrair colibris para suas chácaras.

O corpo tem cinco centímetros apenas. Mas medindo tudo, chega a 15. É que este colibri tem duas espátulas curiosas na cauda. Os estudiosos dizem que são armas de proteção contra os predadores naturais. É um pássaro diferente de todos os outros, único no mundo inteiro.

http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1175442-16052,00-CACADORES+BUSCAM+BEIJAFLOR+RARO+PARA+COMER+SEU+CORACAO.html

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Austrália lança programa para salvar espécies de cavalos-marinhos

BELEZA AMEAÇADA

Giovana Vitola

De Sydney para a BBC Brasil












Um biólogo marinho lançou na Austrália um programa pioneiro para tentar salvar espécies ameaçadas de cavalos-marinhos.

O biólogo marinho David Harasti, da Universidade de Newcastle, na Austrália, criou filhotes de duas espécies não-ameaçadas em cativeiro nos últimos seis meses e soltou-os em seu habitat natural, na baía de Sydney.

A maioria das espécies de cavalos-marinhos não se adapta bem ao cativeiro, apresentando alto nível de estresse e baixo índice de reprodução. A esperança do experimento é que os filhotes sobrevivam sozinhos.

Se a experiência, realizada com animais das espécies cavalo-marinho-de-barriga, a maior espécie existente, e o cavalo-marinho-branco, der certo, o programa poderá ser usado com espécies em extinção em outros países

"Estamos testando se cavalos-marinhos nascidos em cativeiro se adaptam à natureza, pois poderíamos introduzir o programa em outros países onde as populações estão diminuindo, como Filipinas, Vietnã e Indonésia (que possui o maior número de cavalos-marinhos do mundo), disse ele à BBC Brasil.

Teste


Vinte e dois filhotes foram liberados em condições de água diferentes em Sydney. Uma mais calma, e outra mais agitada, para ver em qual ambiente os cavalos-marinhos se adaptariam melhor.

"Assim, vamos observando e coletando informações valiosas desses animais", disse. Todos os filhotes, identificados por uma pequena etiqueta fluorescente, devem ser monitorados por mergulhadores a cada duas semanas.

"A principal coisa é ver se os nascidos em cativeiro sobreviverão na natureza assim que liberados", disse o biólogo, que faz o experimento com cavalos-marinhos-brancos (Hippocampus whitei).

"Como ainda sabemos muito pouco sobre os cavalos-marinhos, não podemos fornecer estatísticas de suas populações", disse ele, que cita a espécie Hippocampus colemani como a mais rara.

'Apaixonados'


Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, há oito espécies ameaçadas no planeta. A organização lista o cavalo-marinho-do-cabo, nativo da África do Sul, como a espécie mais ameaçada.

Para Harasti, a maior ameaça dos cavalos-marinhos é a pesca abusiva - motivada, entre outras coisas, pelo uso do animal na medicina tradicional chinesa -, além do desenvolvimento urbano e degradação dos habitats.

O cientista diz que, com o passar dos anos, a perda de habitats naturais como campos de esponjas, corais e algas, levaram algumas espécies da Austrália a habitar regiões ao redor das redes especiais de proteção contra tubarões. "Agora eles dependem delas, pois se adaptaram às mudanças humanas", disse Harasti, que acrescentou que as redes são "perfeitas" para os animais, já que fornecem proteção contra predadores.

A Austrália abriga ao menos 20 das 60 espécies de cavalos-marinhos conhecidas no mundo, o que a torna o país possuidor da maior diversidade de espécies de cavalos-marinhos no mundo.

Novas espécies continuam a ser descobertas. Recentemente a menor espécie de cavalo-marinho do mundo foi encontrada próxima a costa da Indonésia. O Hippocampus denise tem apenas 16 milímetros de comprimento.

O pesquisador diz que os cavalos-marinhos são a única espécie do mundo na qual o macho dá à luz, podendo produzir cerca de cem filhotes de uma vez.

Segundo o Harasti, quando a fêmea e o macho iniciam o processo de acasalamento, ficam juntos durante toda a temporada. "Recentemente descobrimos também que eles são monogamistas de longo-prazo, pois os pares continuam juntos nas temporadas seguintes de acasalmento".

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090524_cavalosmarinhos_rc.shtml

domingo, 24 de maio de 2009

Como funciona a agricultura hidropônica?

O cultivo da agricultura hidropônica é uma técnica milenar em que frutas, verduras e legumes são produzidos sem o uso de terra. “Em seu lugar utiliza-se água pura, mas podem ser usados também substratos como fibra de coco, lã de rocha e algodão”, afirma o engenheiro agrônomo Antônio Bliska Junior, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A principal vantagem desse tipo de cultivo, que já era empregado na China há 2 mil anos, é a produção de plantas mais saudáveis e resistentes a pragas, uma vez que elas são cultivadas em água potável, longe de microorganismos e metais pesados. “Além disso, em algumas culturas não é preciso utilizar agrotóxicos”, diz Bliska, que é co-autor da Cartilha de Hidroponia, disponível no endereço eletrônico www.hidroponia.com.br. Outro fator favorável à técnica é a possibilidade de cultivo em regiões desérticas ou rochosas, onde a terra é improdutiva. De acordo com os defensores da hidroponia, que foi introduzida no Brasil apenas nos anos 90, esse tipo de agricultura é altamente viável do ponto de vista econômico. O mais caro é o investimento inicial para implantação do sistema, que é formado por tubulações com furinhos onde as plantas são afixadas, bombas para movimentar a água e uma estufa./

vida simples Edição Nov 2007

sábado, 16 de maio de 2009

Poluição sonora - Apesar do discurso ecologicamente correto, ídolos do rock e do pop andam emporcalhando a nossa atmosfera

Felipe Pontes



O estrelato tem um preço. Que o diga o nosso planeta. O impacto de bandas e músicos famosos no meio ambiente é enorme. Eles atraem milhões de pessoas a shows, viajam constantemente, e seus espetáculos consomem quantidades chocantes de energia elétrica. Uma turnê mundial pode liberar milhares de toneladas de dióxido de carbono (CO²), gás que contribui para o aquecimento global.

Os roqueiros mais conscientes aliviam a culpa neutralizando as suas emissões. Para tanto, compram créditos de carbono de companhias que cuidam de plantio de árvores, proteção de áreas verdes ou instalações de energia renovável, por exemplo. No cálculo para saber o tamanho do crédito, são verificadas as emissões de gases causadores do efeito estufa. Elas são geradas a partir da queima de combustíveis fósseis e material orgânico.

Apesar de ainda distante da situação ideal, ecologistas comemoram as iniciativas dos artistas que neutralizam suas emissões. Essa atitude influencia muitas pessoas, segundo Eduardo Petit, diretor de marketing da MaxAmbiental, companhia que vende créditos de carbono. "Quem é atingido passa a ter consciência de que cada um deve fazer a sua parte", afirma. Marketing ou não, o certo é que o planeta agradece os astros que levam o discurso verde para além das canções.

THE POLICE
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Segundo a revista britânica NME, é a banda que mais poluiu o planeta, durante sua turnê em 2007 e 2008.
Para aliviar a culpa, doou 1 milhão para a prefeitura de Nova York plantar 10 mil árvores em maio passado.

COLDPLAY
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>>> Em 2002, a banda contratou uma empresa para plantar 10 mil mangueiras em Karnataka, Índia. A ideia era neutralizar a produção e distribuição de seus CDs. Das árvores, apenas 4 mil sobreviveram.

DAVE MATTHEWS BAND
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>>> Gerou 18 mil toneladas de CO2 - equivale a 58 milhões de quilômetros rodados por um carro
>>> Em 2002, a banda decidiu neutralizar todas as emissões causadas desde 1991
>>> Auxiliou na construção da Rosebud Wind Turbine, a primeira turbina de vento de grande escala nos EUA.


RADIOHEAD
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>>> Em algumas turnês, envia seus equipamentos por navio>>> Para reduzir emissões, se apresentou na TV dos EUA sem sair da Inglaterra>>> Em 2007, lançou na web o álbum In Rainbows, para conservar papel e reduzir lixo. Porém, meses depois, o CD chegou às lojas


SUJEIRA, LEVANTOU SUJEIRA
O resultado de uma apresentação de Ivete Sangalo na praia de Copacabana



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fonte: Revista Galileu do mês de maio

domingo, 10 de maio de 2009

Use energia, enriqueça e salve o planeta

THE NEW YORK TIME


John Tierney


Quando o primeiro Dia da Terra aconteceu, em 1970, os ambientalistas norte-americanos tinham uma boa razão para se sentirem culpados. A riqueza do país e a tecnologia avançada pareciam tão ruins para o planeta que chegaram a aparecer numa famosa equação desenvolvida pelo ecologista Paul Ehrlich e pelo físico John P. Holdren, hoje conselheiro científico do presidente americano Barack Obama.

A equação deles era: I = PRT. Isso significa que o impacto ambiental é igual à população multiplicada pela riqueza multiplicada pela tecnologia. Proteger o planeta parecia exigir menos pessoas, menos riqueza e tecnologias mais simples - o mesmo tipo de transformação social e revolução energética defendidos em muitos comícios relacionados ao Dia da Terra da última quarta-feira.

Porém, para cientistas pesquisadores do meio ambiente, muita coisa mudou desde a década de 1970. Com os benefícios de seus esclarecimentos e equações melhoradas, vou fazer algumas previsões:

1. Não haverá nenhuma revolução verde no campo energético ou coisas do tipo. Nenhum líder, lei ou tratado irá mudar radicalmente as fontes energéticas para as pessoas e as indústrias nos Estados Unidos ou em outros países. Nenhuma recessão ou depressão irá causar mudanças duradouras na paixão dos consumidores de consumir energia, ganhar dinheiro e adquirir novas tecnologias - e isso, acredite ou não, é uma boa notícia, pois...

2. Quanto mais ricos todos ficam, mais verde será o planeta no longo prazo.

Entendo que esta segunda previsão parece ser difícil de acreditar se considerarmos a quantidade de carbono despejada na atmosfera hoje pelos americanos e as projeções do aumento dessas emissões na Índia e na China, à medida que esses países enriquecem.

Tais projeções facilitam deduzir que a riqueza e a tecnologia causam mais danos ao meio ambiente. No entanto, apesar da poluição aumentar quando um país se industrializa, à medida que as pessoas enriquecem, elas podem bancar água e ar mais limpos. Elas começam a usar fontes de energia que utilizam menos carbono - não só porque elas se preocupam com o aquecimento global. O processo de "descarbonização" começou muito antes do nascimento de Al Gore.

A velha teoria I = PRT ("a riqueza é ruim") pode ter feito algum sentido intuitivo, mas não casa com os dados analisados desde aquele primeiro Dia da Terra. Na década de 1990, pesquisadores perceberam que os gráficos envolvendo o impacto ambiental não produziam uma linha ascendente simples à medida que o país enriquecia. A linha frequentemente sobe, se estabiliza, e depois reverte de forma descendente, formando uma figura como um arco ou um "U" invertido - chamado curva de Kuznets.

Em dezenas de estudos, pesquisadores identificaram curvas de Kuznets para uma variedade de problemas ambientais. Existem exceções para a tendência, especialmente em países com governos incompetentes e sistemas deficientes de propriedade privada. Porém, em geral, enriquecer significa eventualmente ficar mais verde. À medida que a renda sobe, as pessoas geralmente focam, antes de tudo, em limpar sua água. Depois é a vez dos poluentes do ar, como o dióxido de enxofre.

Com o aumento da riqueza, as pessoas consomem mais energia, entretanto, elas preferem fontes energéticas mais eficientes e limpas - vão de madeira, carvão e petróleo, para gás natural e energia nuclear, progressivamente emitindo menos carbono por unidade de energia. Essa tendência de "descarbonização" global tem ocorrido num ritmo notavelmente estável, desde 1850, segundo Jesse Ausubel, da Rockefeller University, e Paul Waggoner, da Estação Experimental de Agricultura de Connecticut.

"Quando você tem muitos edifícios cheios de computadores operando ao mesmo tempo, a energia entregue tem de ser bastante limpa e compacta", argumentou Ausubel, diretor do Programa para o Ambiente Humano da Rockefeller. "A tendência de longo prazo é em direção ao gás natural e à energia nuclear, ou energia solar, se possível. Se o sistema energético evoluir nessa tendência, a maioria do carbono será eliminada até 2060 ou 2070".

Todavia, o que dizer sobre todo o dióxido de carbono, cuspido hoje pelos americanos, que se desloca para suas McMansões? Bem, é verdade que os moradores de subúrbios americanos emitem mais gases do efeito estufa se comparados a maioria das outras pessoas do mundo (apesar dos nova-iorquinos não serem muito diferentes de outras zonas urbanas ricas).

No entanto, os Estados Unidos, e outros países ocidentais, parecem estar próximos do topo de uma curva de Kuznets em relação às emissões de carbono, prontos para começar a alegre descida curva abaixo. A quantidade de carbono emitida pelo cidadão americano médio tem permanecido estável pelas últimas décadas. Além disso, as emissões de carbono per capita começaram a declinar em alguns países, como a França. Alguns pesquisadores calculam que o ponto de mudança pode chegar quando a renda per capita de um país atinge US$ 30 mil, mas isso pode variar amplamente, dependendo do tipo de combustível disponível.

Nesse meio tempo, mais carbono está sendo eliminado da atmosfera pelas florestas em expansão nos Estados Unidos e outros países ricos. O desmatamento também segue uma curva de Kuznets. Em países pobres, as florestas são desmatadas para fornecer combustível e área de cultivo. Porém, à medida que as pessoas enriquecem e obtêm melhorias tecnológicas em relação à agricultura, os campos tendem a se transformar em áreas florestais.

Obviamente, mesmo se o impacto dos países ricos nas emissões de gases do efeito estufa diminuir, ainda haverá um aumento das emissões de carbono pela China, Índia e outros países, os ascendentes na curva de Kuznets. Apesar desse prospecto ter o lobby de ambientalistas para a restrição dos gases do efeito estufa, alguns economistas temem que um tratado global possa, no fim das contas, prejudicar a atmosfera ao diminuir o ritmo do crescimento econômico e, portanto, prolongar o tempo necessário para os países pobres atingirem o ponto de mudança na curva.

Então, portanto, existem tantas razões para achar que países em diferentes estágios na curva de Kuznets podemssam chegar a concordar na aplicação dessas restrições? O tratado de Kyoto não transformou a indústria nem os consumidores europeus. Apesar de que alguns ambientalistas americanos esperam que a combinação da crise econômica e um novo presidente possa deflagrar uma nova era de austeridade energética e energia verde, o senhor Ausubel afirma que eles esperam o reverso da história.

Nos últimos séculos, disse ele, nada alterou drasticamente as tendências de longo prazo na forma como os americanos produzem ou usam energia - nem a Grande Depressão, nem as guerras mundiais, nem a crise energética dos anos 1970, nem os grandiosos programas para produzir energia alternativa.

"Sistemas energéticos evoluem com uma lógica própria, gradualmente. Eles não se transformam de repente em algo diferente", explicou Ausubel. Esse não é um discurso muito empolgante para ser dito no Dia da Terra. Porém, no longo prazo, a curva de Kuznets é mais confiável que uma revolução.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/tnyt_service/

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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