Seguidores

Mostrando postagens com marcador energia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador energia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Abastecimento e sustentabilidade dependem da coexistência de fontes energéticas

El País
Manuel V. Gómez
Em Madri (Espanha)
O potencial da energia eólica é enorme. Um mundo cheio de moinhos de vento de 2,5 megawatts abasteceria toda a fome de energia que existe. Bastaria que funcionassem com 20% de sua capacidade. Em conjunto, produziriam cinco vezes mais energia do que a que é consumida atualmente em todo o globo. Só nos EUA seriam geradas 16 vezes a eletricidade que se consome. Para que isso fosse possível, seria preciso instalar geradores eólicos praticamente em todos os lugares. O estudo que fornece esses dados, elaborado pelos professores da Universidade Harvard Michael B. McElroy e Juha Kiviluoma, só livra dos enormes postes com aerogeradores e grandes hélices as cidades, as áreas geladas e as florestas.
Essa pesquisa de McElroy e Kiviluoma é um exercício acadêmico, na realidade. No entanto, salienta que, como dizia há algumas semanas o diretor financeiro da empresa espanhola Iberdrola Renovables, José Ángel Marra, argumentos extremos são fáceis de encontrar no debate energético. Mas o que parece claro é que hoje são necessárias todas as fontes de geração elétrica para garantir a segurança do abastecimento, manter os custos ou reduzir as emissões de CO2, como diz a maioria dos conhecedores do setor. Um argumento que, com matizes, é rejeitado pelos ecologistas e que outros consideram "clichê".

Depender exclusivamente da energia eólica - a renovável mais disseminada - em dias como o último 3 de agosto na Espanha teria sido um problema sério. Nesse dia, às 14 horas, quando o consumo elétrico se aproximava de 35 mil MW, os moinhos produziam apenas 1,7% da eletricidade que era consumida, embora a potência de geração instalada seja de 17%. E isto costuma ser habitual nos dias em que faz mais calor ou mais frio na península Ibérica. É comum que estes coincidam com uma grande estabilidade atmosférica, e por isso o vento não sopra.

Para enfrentar a queda da produção eólica necessária em 3 de agosto foi preciso recorrer aos ciclos combinados - centrais de geração elétrica que usam gás natural como combustível. Nessa hora eles assumiram pouco mais de 45% de toda a eletricidade que se produzia, segundo os dados da Rede Elétrica Espanhola (REE). Puxado por esses dados, pela mudança climática ou por sonoras discussões como a que foi organizada há um mês em torno da central nuclear de Garoña (Burgos), ressurge com frequência o debate sobre qual deve ser o parque de geração elétrica.

"Todas as energias são necessárias", clamam na Unesa, a organização patronal do setor. É a opinião majoritária dos especialistas. A ela soma-se Jorge Fernández, diretor-geral adjunto da Intermoney Energía. Ignacio Cruz, diretor do departamento eólico do Centro de Pesquisas Energéticas, Ambientais e Tecnológicas (Ciemat), parece apoiá-la, embora com nuances, quando afirma: "Sim, seria possível prescindir dela, mas perderíamos em segurança [de abastecimento]".

Pelo lado ecológico, Ladislao Martínez aceita esse argumento, mas para ele nem todas as energias são necessárias. Para chegar a essa conclusão, compara os 90 mil MW de capacidade de produção que tem o parque de geração espanhol com os 44.786 que foram exigidos no dia de maior consumo registrado, um distante 17 de dezembro de 2007. Nessa grande capacidade de produção têm grande responsabilidade a eólica e o gás - através do ciclo combinado. Há apenas alguns anos praticamente não existiam. Quase não faziam parte do "mix" elétrico - palavra com a qual o setor denomina habitualmente o parque básico de geração. Até 2002, na Espanha não houve uma só central de ciclo combinado. Sete anos depois, o vento e o gás representam em torno de 40% da potência de geração instalada e uma porcentagem semelhante do consumo. O resto é dividido de forma desigual entre a energia nuclear, o carvão, as quedas d'água, outras renováveis - mini-hidráulica, fotovoltaicas ou biomassa -, o combustível.

Mas o mix energético não é uma foto fixa. Com toda a segurança, o peso das energias renováveis aumentará no futuro. Até 2020 o objetivo é que representem 20% da energia primária - o conjunto de toda a energia utilizada, incluindo o transporte e a eletricidade - e 40% da elétrica. E isso afinal conduz a uma série de perguntas. Qual é o limite das energias renováveis? Pode-se prescindir de alguma? Há um parque de geração perfeito ou ideal?

"O mix ideal em princípio não existe", admite Fernández, da Intermoney Energía, respondendo à última pergunta. "Na realidade reflete as expectativas dos políticos", continua, e cita o caso da França, onde a nuclear produz quase 80% da eletricidade. "Um mix deve ser capaz de garantir a prioridade de abastecimento", afirma Miguel Duvisón, diretor de operação da REE. E isso, da perspectiva do gestor do sistema, é garantido pela geração térmica - ciclo combinado, combustível ou nuclear - e a grande hidráulica. São energias nas quais, em grandes traços, é simples fazer coincidir a disponibilidade com a vontade do consumidor.
Mas ao mesmo tempo que se garante a prioridade de abastecimento, explica Duvisón, o gestor também tem presentes outros objetivos: baratear os custos, reduzir a dependência do fornecimento energético do exterior - que no caso espanhol beira os 80% -, controlar as emissões de CO2 e garantir o abastecimento em longo prazo.

Critérios muito parecidos são os da Unesa. A patronal explica que para determinar qual deve ser o mix energético de um país é preciso levar em conta três fatores: geoestratégicos ou geopolíticos, ambientais e econômicos.

Atendendo a esses critérios, o recurso às energias renováveis parece evidente. São abundantes, autóctones, o combustível - embora não a produção - é bem barato e sua contribuição à luta contra a mudança climática é inquestionável. Mas a imprevisibilidade é seu calcanhar de Aquiles, um obstáculo para o primeiro princípio enunciado por Duvisón: "garantir a prioridade do abastecimento". Veja o exemplo da energia eólica. Das 8.760 horas que tem um ano, um aerogerador está em pleno rendimento em média 2.200 horas. Na opinião dos especialistas, o aumento das energias renováveis - sobretudo da eólica e da solar - no parque de geração elétrica exige fontes de apoio para cobrir a imprevisibilidade. "Se forem colocadas mais fontes não programáveis, há necessidade de mais colchão", explicam na REE. Nesse "colchão" entrariam, por sua flexibilidade, boa parte da geração térmica - gás, combustível e carvão - e também da hidráulica.

O porta-voz da Plataforma Contra as Centrais Térmicas, Ladislao Martínez, concorda que as renováveis precisam de um respaldo, e não que as térmicas sejam a fonte curinga à qual recorrer. Para ele, a solução está na chamada hidráulica de bombeamento - um tipo de geração elétrica composta de uma corrente e duas represas que permite elevar a água de uma para outra e reutilizá-la, e portanto uma forma de armazenar energia - que, além disso, tem uma capacidade de desenvolvimento potencial na Espanha de cerca de 3 mil MW sobre os que já estão instalados.

Ignacio Cruz, do Ciemat, dependente do Ministério da Indústria, também confia na hidráulica renovável como o "colchão" de outras renováveis "intermitentes". Além disso, ele dá ênfase para outros instrumentos como a previsão meteorológica. Por sua parte, Gonzalo Sáenz de Miera, da Iberdrola Renovables, que defende "a insustentabilidade" do mix energético atual por razões ambientais e a excessiva dependência dos combustíveis fósseis, acredita que conforme aumente a presença das renováveis será necessário o colchão do ciclo combinado e da hidráulica bombeável.

Mais difícil para desempenhar o papel de colchão é a sempre polêmica energia nuclear. Indicada por seus defensores como a solução para a mudança climática devido a seu baixo nível de emissões de CO2, e criticada pelos resíduos radioativos que gera ou os grandes investimentos que exige, essa fonte na Espanha não se caracteriza pela flexibilidade, algo necessário para um parque de geração com um peso crescente das renováveis. O desenho inicial das centrais as obriga a funcionar sempre no máximo de sua capacidade, e por isso sua contribuição para o sistema, salvo quando estão paradas, é constante.

Toda essa revisão leva a Unesa a uma conclusão tão simples quanto lógica: "Todas as tecnologias têm suas vantagens e seus inconvenientes". Formulada essa premissa, eles afirmam com contundência que todas as energias são necessárias. Não só agora, mas também no futuro. Conclusão que encontra a rejeição do Greenpeace, que em um relatório já antigo, de abril de 2007, tenta demonstrar que em 2050 toda a eletricidade produzida na Espanha poderá vir de fontes renováveis.

Muito cético com ambas as conclusões mostra-se Paul Isbell, do Instituto Elcano. Para ele, a frase "todas as energias são necessárias" é um dos grandes clichês. Não é o único. Isbell aponta outros dois: "toda a energia pode ser produzida com renováveis" e "a nuclear é imprescindível". "Em um sistema elétrico como o espanhol há um limite sobre a contribuição viável das energias renováveis que o consenso situa em torno de 40%. E isto abre a porta para o argumento de que a energia nuclear é insubstituível", afirma. Mas na opinião de Isbell tudo mudaria se o sistema elétrico espanhol deixasse de ser uma ilha.

Neste momento as interconexões com a França representam apenas 1.300 MW, indica a REE. "Se o sistema for aberto com mais interconexões, muda a perspectiva das renováveis", continua Isbell, que cita os países nórdicos como exemplo de lugares onde a melhora e a ampliação da rede permitiram aumentar sua contribuição ao sistema. Para ele, inclusive se aumentar o uso da eletricidade nos carros na Espanha, com uma rede elétrica de maior extensão e qualidade, se poderia satisfazer a demanda só com renováveis e ciclo combinado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

FONTE:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/08/31/ult581u3449.jhtm

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Catar ventos" para gerar energia!


"Catar ventos" para gerar energia!

Brasília, 4 de junho de 2009

As alterações climáticas e o alerta para a busca de soluções renováveis de energia são, hoje, preocupações de diversos países. No Brasil, a atenção para essa questão se deu, basicamente, após os choques do petróleo ocorridos na década de 70. Os ventos também estão no caminho do desenvolvimento limpo. Os primeiros aerogeradores foram instalados, em 1992, em Fernando de Noronha (pequeno porte) e, em 1994, em Minas Gerais (grande porte). Hoje, 0,4% da matriz energética do país é composta por energia eólica.

As turbinas eólicas podem estar ligadas à rede elétrica, suprir a demanda por eletricidade de pequenas comunidades isoladas, como as da Amazônia, ou ainda servir para trabalhos mecânicos como o bombeamento de água (cataventos ou moinhos).

O primeiro país a investir em energia eólica foi a Dinamarca, mas a sua capacidade se esgotou em virtude de espaço territorial. Hoje, o país gera 3.000 MW e começa a instalar turbinas em alto-mar (off-shore).

Nessa direção estão, atualmente, em primeiro lugar, os Estados Unidos com uma capacidade de geração de instalação de 25.170 MW, em segundo lugar a Alemanha com 23.900 MW, e logo depois a Espanha com 16.754 MW. Em quarto e quinto lugares estão: a China, com 12.340 MW, e a Índia, com 9.587MW. Em 2008, os países que mais cresceram foram: Estados Unidos (8.360 MW), China (6.300 MW) e Índia (1.800 MW).

O Confea está atento às questões do meio ambiente, promovendo debates sobre a produção de energias limpas no Brasil. Em 2008, atuou fortemente para trazer ao país o Congresso Mundial de Engenheiros (WEC 2008), realizado em Brasília. Na exposição tecnológica (ExpoWEC), cujo tema foi “Energia para o Futuro”, os visitantes puderam conhecer um gerador de energia eólica dos mais modernos, com motor menos barulhento e menor desgaste devido à baixa rotação.

Brasil tem grande potencial eólico
“O Brasil deve sinalizar para um programa de governo que contemple a energia eólica, como fizeram Estados Unidos e Espanha, para atrair novos investidores, gerar maior competitividade e, consequentemente, melhores preços. Estamos lutando para um programa 10-10, que significa 10 GW ao longo de 10 anos. O compromisso de governo da comunidade europeia, por exemplo, é um programa 20-20 – que significa ter 20% da matriz energética com eólica até 2020, ou seja, em 11 anos. É um compromisso bem mais ambicioso”, ressaltou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEólica), Pedro Perrelli.

O estudo ‘Atlas Eólico Brasileiro’, produzido pelo CEPEL/Sistema Eletrobrás, apontou o potencial existente no país: 143 GW ou 143.000 MW. Mas a revisão desse estudo deve mostrar um número mais representativo, de cerca de 300 GW. O litoral do Nordeste, o centro da Bahia, o norte de Minas Gerais e o extremo sul do Brasil são regiões propícias para a geração de eletricidade por meio dos ventos. “A utilização do petróleo deve ser preservada para atividades mais nobres, pois temos alternativas como as três irmãs: hidrelétrica, eólica e biomassa da cana-de-açúcar. As três formas são complementares: em época de seca, há a colheita da cana-de-açúcar e a abundância de ventos. Em época de chuvas, venta pouco e não há colheita”.

O diretor-executivo da ABEeólica, Pedro Perrelli, explica ainda que a energia eólica é cara se comparada com a hidrelétrica. Se comparada com as usinas termelétricas a óleo, a eólica é 15 a 20% mais barata. Ele ressalta que a produção só irá decolar com incentivos, como aconteceu na Espanha.

“Para cada um euro investido, a Espanha teve um retorno de 7,6 euros. Também foram gerados 37 mil empregos e houve uma redução da importação de petróleo da ordem de um bilhão de euros, sem contar a redução dos gases causadores do efeito estufa. A energia eólica dá independência em relação ao petróleo, pode contribuir junto à água para não termos apagão, além de proteger o meio ambiente”, afirmou Pedro.

Embora tímidos, os investimentos para esse tipo de energia no Brasil devem aumentar com a realização, no dia 25 de novembro, do Leilão de Energia de Reserva 2009 – Eólica promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) - órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. O edital será divulgado em breve pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

De 4 a 6 de junho, os entraves e as demandas para a geração de energia eólica serão discutidos no Fórum Nacional Eólico: A Carta dos Ventos, realizado no Pestana Natal Resort.

Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A energia que vem do sal

Uma nova tecnologia consegue gerar eletricidade a partir do contato da água doce dos rios com o mar. O único problema: o preço ainda é muito salgado



margarida telles

O engenheiro químico americano Sidney Loeb teve duas ideias revolucionárias em sua carreira. A primeira lhe ocorreu na década de 50, quando trabalhava na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Loeb desenvolveu os princípios de um sistema de filtros capazes de extrair o sal da água marinha e torná-la própria para a agricultura e para o consumo doméstico. O sistema exige grande quantidade de energia para bombear a água marinha pelos filtros, mas é essencial em países com pouca opção hídrica, como Israel. E hoje 3% da água potável do mundo vem dessa técnica das usinas de dessalinização. A segunda ideia genial de Loeb pode ter um impacto ainda maior. Ela simplesmente inverte o princípio usado na dessalinização: transforma água doce em salobra – e gera eletricidade. Se o processo for viável em larga escala, poderá matar a sede de energia limpa do mundo.

A ideia de Loeb explora uma característica física peculiar dos líquidos: a osmose. Trata-se de um princípio segundo o qual soluções líquidas separadas por uma membrana semipermeável tendem a ter igual concentração de substâncias. Por causa da osmose, a água sempre se movimenta do meio mais ralo para o mais concentrado, com o objetivo de equilibrar os dois. É assim que as células dos seres vivos conseguem trocar água com o líquido a sua volta. O processo de dessalinização inventado por Loeb se inspira nesse fenômeno natural. As usinas captam água do mar (com alta concentração de sal) e a bombeiam em alta pressão por meio de tubos com membranas semipermeáveis. Só a água vai para o outro lado, deixando para trás uma mistura com concentração maior de sal, que é despejada de volta no mar. O que sai do outro lado do cano é água doce mais pura que a das nascentes das montanhas.

Agora, a ideia é usar o percurso contrário da água. Loeb propõe colocar água doce ao lado da salgada. Pela osmose, a água doce vai correr para o lado da salgada, criando um fluxo contínuo que pode ser usado para acionar uma turbina e gerar energia. Para usar essa energia, é preciso construir usinas na foz dos rios (leia a ilustração na próxima página), aproveitando as condições naturais de encontro da água doce com a salgada. As obras envolvem diques para canalizar o fluxo dos rios para dentro de uma instalação. A água ficaria em um reservatório, ao lado da água salgada. Ali, a pressão da água é transformada em eletricidade. A água salobra resultante é despejada no mar. Pelas estimativas da empresa de energia norueguesa Statkraft, se todos os recursos hídricos do planeta fossem usados para isso, seria possível produzir o equivalente ao consumo de energia da China em 2002. Somente o Rio Amazonas poderia gerar 35 vezes mais energia que a usina de Itaipu.

A primeira vantagem da energia do sal é seu impacto relativamente pequeno nos rios. Bastam pequenas obras para canalizar parte da água. Além disso, ela funciona em qualquer situação climática, sem depender de sol, chuvas ou vento. “Com os preços da energia subindo e uma maior preocupação em criar fontes de energia renovável, a osmose tornou-se uma excelente alternativa”, afirma Stein Erik Skilhagen, diretor do projeto da Statkraft, uma das principais incentivadoras dessa tecnologia.

A Statkraft pretende inaugurar neste semestre o primeiro protótipo de energia do sal em Tofte, na Noruega. O projeto demorou vários anos para passar à prática. “O maior desafio foi criar uma membrana que simule o mesmo processo de osmose na natureza”, diz Skilhagen. A usina experimental é pequena. Vai gerar o suficiente apenas para aquecer alguns bules de água. A ideia é aperfeiçoar o protótipo nos próximos dois anos, e aí construir uma usina do tamanho de um campo de futebol, com o poder de gerar energia capaz de abastecer 15 mil casas.

Alguns duvidam que a tecnologia possa ser aplicada no mundo todo. Na Noruega é mais fácil, pois seus rios são cristalinos. Em bacias como a do Amazonas, as membranas teriam de ser frequentemente limpas, para os detritos não impedirem o fluxo de água. Com esse obstáculo em mente, a empresa holandesa Wetsus criou um projeto alternativo de osmose. Ele funciona como uma bateria e é semelhante às máquinas usadas para fazer hemodiálise. Não é a água a responsável por gerar energia, mas a carga elétrica existente no sal. Quando a água salgada é colocada em contato com as membranas, as cargas positivas do sódio e as cargas negativas do cloro se movem para lados opostos e criam um fluxo de energia. Como a água não precisa atravessar as membranas, a lama não é um problema.

A osmose ainda é cara. Seus custos assemelham-se aos da energia eólica. Estima-se que uma usina do tamanho de dois campos de futebol e com capacidade de produzir energia para abastecer oito trens custe aproximadamente US$ 600 milhões. Mas, uma vez que a tecnologia se aprimore, o preço pode baixar. Com a demanda crescente por fontes limpas, pode começar a ser viável. Sidney Loeb não chegou a ver seu projeto posto em prática. Ele morreu em dezembro de 2008, aos 92 anos. Pode ter deixado uma preciosa herança para o mundo.

O potencial da energia do sal

A energia proveniente da combinação de água doce e salgada seria suficiente para suprir 40% da demanda mundial por energia. O Rio Amazonas é o de maior potencial energético do planeta



Como tirar energia da água salgada

Engenheiros descobriram que é possível extrair energia do encontro da água do rio com o mar
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca

domingo, 10 de maio de 2009

Use energia, enriqueça e salve o planeta

THE NEW YORK TIME


John Tierney


Quando o primeiro Dia da Terra aconteceu, em 1970, os ambientalistas norte-americanos tinham uma boa razão para se sentirem culpados. A riqueza do país e a tecnologia avançada pareciam tão ruins para o planeta que chegaram a aparecer numa famosa equação desenvolvida pelo ecologista Paul Ehrlich e pelo físico John P. Holdren, hoje conselheiro científico do presidente americano Barack Obama.

A equação deles era: I = PRT. Isso significa que o impacto ambiental é igual à população multiplicada pela riqueza multiplicada pela tecnologia. Proteger o planeta parecia exigir menos pessoas, menos riqueza e tecnologias mais simples - o mesmo tipo de transformação social e revolução energética defendidos em muitos comícios relacionados ao Dia da Terra da última quarta-feira.

Porém, para cientistas pesquisadores do meio ambiente, muita coisa mudou desde a década de 1970. Com os benefícios de seus esclarecimentos e equações melhoradas, vou fazer algumas previsões:

1. Não haverá nenhuma revolução verde no campo energético ou coisas do tipo. Nenhum líder, lei ou tratado irá mudar radicalmente as fontes energéticas para as pessoas e as indústrias nos Estados Unidos ou em outros países. Nenhuma recessão ou depressão irá causar mudanças duradouras na paixão dos consumidores de consumir energia, ganhar dinheiro e adquirir novas tecnologias - e isso, acredite ou não, é uma boa notícia, pois...

2. Quanto mais ricos todos ficam, mais verde será o planeta no longo prazo.

Entendo que esta segunda previsão parece ser difícil de acreditar se considerarmos a quantidade de carbono despejada na atmosfera hoje pelos americanos e as projeções do aumento dessas emissões na Índia e na China, à medida que esses países enriquecem.

Tais projeções facilitam deduzir que a riqueza e a tecnologia causam mais danos ao meio ambiente. No entanto, apesar da poluição aumentar quando um país se industrializa, à medida que as pessoas enriquecem, elas podem bancar água e ar mais limpos. Elas começam a usar fontes de energia que utilizam menos carbono - não só porque elas se preocupam com o aquecimento global. O processo de "descarbonização" começou muito antes do nascimento de Al Gore.

A velha teoria I = PRT ("a riqueza é ruim") pode ter feito algum sentido intuitivo, mas não casa com os dados analisados desde aquele primeiro Dia da Terra. Na década de 1990, pesquisadores perceberam que os gráficos envolvendo o impacto ambiental não produziam uma linha ascendente simples à medida que o país enriquecia. A linha frequentemente sobe, se estabiliza, e depois reverte de forma descendente, formando uma figura como um arco ou um "U" invertido - chamado curva de Kuznets.

Em dezenas de estudos, pesquisadores identificaram curvas de Kuznets para uma variedade de problemas ambientais. Existem exceções para a tendência, especialmente em países com governos incompetentes e sistemas deficientes de propriedade privada. Porém, em geral, enriquecer significa eventualmente ficar mais verde. À medida que a renda sobe, as pessoas geralmente focam, antes de tudo, em limpar sua água. Depois é a vez dos poluentes do ar, como o dióxido de enxofre.

Com o aumento da riqueza, as pessoas consomem mais energia, entretanto, elas preferem fontes energéticas mais eficientes e limpas - vão de madeira, carvão e petróleo, para gás natural e energia nuclear, progressivamente emitindo menos carbono por unidade de energia. Essa tendência de "descarbonização" global tem ocorrido num ritmo notavelmente estável, desde 1850, segundo Jesse Ausubel, da Rockefeller University, e Paul Waggoner, da Estação Experimental de Agricultura de Connecticut.

"Quando você tem muitos edifícios cheios de computadores operando ao mesmo tempo, a energia entregue tem de ser bastante limpa e compacta", argumentou Ausubel, diretor do Programa para o Ambiente Humano da Rockefeller. "A tendência de longo prazo é em direção ao gás natural e à energia nuclear, ou energia solar, se possível. Se o sistema energético evoluir nessa tendência, a maioria do carbono será eliminada até 2060 ou 2070".

Todavia, o que dizer sobre todo o dióxido de carbono, cuspido hoje pelos americanos, que se desloca para suas McMansões? Bem, é verdade que os moradores de subúrbios americanos emitem mais gases do efeito estufa se comparados a maioria das outras pessoas do mundo (apesar dos nova-iorquinos não serem muito diferentes de outras zonas urbanas ricas).

No entanto, os Estados Unidos, e outros países ocidentais, parecem estar próximos do topo de uma curva de Kuznets em relação às emissões de carbono, prontos para começar a alegre descida curva abaixo. A quantidade de carbono emitida pelo cidadão americano médio tem permanecido estável pelas últimas décadas. Além disso, as emissões de carbono per capita começaram a declinar em alguns países, como a França. Alguns pesquisadores calculam que o ponto de mudança pode chegar quando a renda per capita de um país atinge US$ 30 mil, mas isso pode variar amplamente, dependendo do tipo de combustível disponível.

Nesse meio tempo, mais carbono está sendo eliminado da atmosfera pelas florestas em expansão nos Estados Unidos e outros países ricos. O desmatamento também segue uma curva de Kuznets. Em países pobres, as florestas são desmatadas para fornecer combustível e área de cultivo. Porém, à medida que as pessoas enriquecem e obtêm melhorias tecnológicas em relação à agricultura, os campos tendem a se transformar em áreas florestais.

Obviamente, mesmo se o impacto dos países ricos nas emissões de gases do efeito estufa diminuir, ainda haverá um aumento das emissões de carbono pela China, Índia e outros países, os ascendentes na curva de Kuznets. Apesar desse prospecto ter o lobby de ambientalistas para a restrição dos gases do efeito estufa, alguns economistas temem que um tratado global possa, no fim das contas, prejudicar a atmosfera ao diminuir o ritmo do crescimento econômico e, portanto, prolongar o tempo necessário para os países pobres atingirem o ponto de mudança na curva.

Então, portanto, existem tantas razões para achar que países em diferentes estágios na curva de Kuznets podemssam chegar a concordar na aplicação dessas restrições? O tratado de Kyoto não transformou a indústria nem os consumidores europeus. Apesar de que alguns ambientalistas americanos esperam que a combinação da crise econômica e um novo presidente possa deflagrar uma nova era de austeridade energética e energia verde, o senhor Ausubel afirma que eles esperam o reverso da história.

Nos últimos séculos, disse ele, nada alterou drasticamente as tendências de longo prazo na forma como os americanos produzem ou usam energia - nem a Grande Depressão, nem as guerras mundiais, nem a crise energética dos anos 1970, nem os grandiosos programas para produzir energia alternativa.

"Sistemas energéticos evoluem com uma lógica própria, gradualmente. Eles não se transformam de repente em algo diferente", explicou Ausubel. Esse não é um discurso muito empolgante para ser dito no Dia da Terra. Porém, no longo prazo, a curva de Kuznets é mais confiável que uma revolução.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/tnyt_service/

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

postagem e comentário