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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mundo animal: Cores ao vivo

A exuberância das cores no reino animal tem muito a ver com a sobrevivência das espécies. Para algumas delas, o colorido é um verdadeiro código de sinais.




Por Roberto Muylaert Tinoco

Azul-esverdeado ou verde-azulado? Muita gente optaria pela primeira forma e o mesmo ocorreria com um cientista que estivesse descrevendo, por exemplo, uma nova espécie de besouro colorido. Isso porque a visão humana é particularmente sensível a um determinado comprimento de onda luminosa que se convencionou chamar azul-esverdeado. Mas o que enxergaria o próprio besouro ao olhar para um companheiro da mesma espécie? Esse é um dos problemas com que se deparam os estudiosos do comportamento animal. Pois ainda é muito pouco o que se sabe a respeito da visão cromática dos animais -- e esse desconhecimento tem colocado em xeque muitas antigas suposições sobre o uso que eles fazem de seus surpreendentes coloridos.

Um animal, uma planta ou mesmo qualquer objeto que vemos como “colorido” possui uma superfície capaz de refletir ou emitir ondas eletromagnéticas dentro de certas variações. Os limites para essas variações são ditados pelos próprios comprimentos das ondas. Estas, se forem demasiadamente longas ou, ao contrário, muito curtas, deixarão de estimular a retina humana e, em conseqüência, o sistema nervoso, tornando impossível perceber a “cor”. As diferentes nuances das cores são produzidas por variações no tamanho e na freqüência de radiações eletromagnéticas com um comprimento de onda inferior a um micrômetro (a milésima parte de um milímetro). A percepção das cores principia com o estímulo proporcionado pelas ondas de 0,39 micrômetro (o violeta) e termina na faixa de 0,78 micrômetro (o vermelho). Tanto as ondas mais longas que o vermelho (infravermelho) como as mais curtas que o violeta (ultravioleta) não são percebidas como cor. São, portanto, invisíveis para a vista humana e a da maioria dos animais.

O austríaco Karl von Frisch, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1973, estudou a percepção das cores nas abelhas, descobrindo que esses insetos são particularmente atraídos por uma forma semelhante à cruz de Malta (aquela das caravelas portuguesas). Intrigado, descobriu que, banhando certas flores na luz ultravioleta, esse desenho invisível para os homens aparecia. As abelhas e também as formigas possuem sistemas óticos que ultrapassam, portanto, os limites da visão humana. Elas captam o ultravioleta, embora sejam absolutamente cegas para o vermelho. Conhecendo a faixa de visão de certos insetos, foi possível criar uma lâmpada, usada nas varandas das casas e nas fazendas, que não atrai os insetos que normalmente procuram a luz -- a cor dessas lâmpadas para eles é invisível, ou seja, não podem saber quando elas estão acesas ou apagadas. Do mesmo modo, as lâmpadas infravermelhas à venda no comércio emitem também um pouco de radiação vermelha, pois, se irradiassem apenas o intravermelho, seria impossível perceber visualmente quando estão ligadas ou desligadas.

A maioria dos mamíferos não enxerga as cores. Em algumas espécies a visão cromática é ainda considerada duvidosa; com certeza mesmo existe apenas entre os primatas. O ser humano foi privilegiado por uma magnifica visão colorida do mundo que só em alguns aspectos é superada pela inigualável acuidade cromática de certas aves. Como, por exemplo, algumas espécies de beija-flor, capazes de perceber nuances na coloração alaranjada das flores das bromeliáceas que denunciam uma concentração maior de néctar; essas nuances são totalmente inexistentes para os olhos humanos.

Entre os próprios homens, porém, varia imensamente a sensibilidade para a captação das cores. Além dos daltônicos, que não distinguem o verde do vermelho (eles sabem, contudo, que nos sinais de trânsito o vermelho fica sempre acima do verde), já foram identificadas algumas dezenas de outras variedades do daltonismo, batizadas com nomes excêntricos. Assim, existem os dicromatas protanópicos, que não distinguem o azul-esverdeado do branco e vermelho e consideram o amarelo e o laranja iguais; os dicromatas trianópicos, que só percebem o extremo vermelho do espectro e confundem o azul e o verde; e até alguns incríveis tricomatas anômalos, que percebem deficientemente todas as cores.

A visão cromática amplia consideravelmente o universo das informações visuais e assim representa uma grande vantagem para os animais de atividade diurna. Com o cair da noite a percepção das cores deixa de ter sentido para a maioria das espécies, com exceção dos vagalumes -- cujos lampejos esverdeados funcionam como chamariz sexual -- e dos seres humanos, irresistivelmente deslumbrados pelo ofuscante colorido noturno das metrópoles. Não é por acaso que os coloridos animais escolhidos para enfeitar gaiolas, aquários e exuberantes coleções de insetos pertencem ao seletíssimo grupo dos que possuem visão cromática.

Para eles, as cores funcionam como um verdadeiro código de sinais. De acordo com a situação, a cor cumpre seu papel. O etologista austríaco (que estuda o comportamento animal) Konrad Lorenz já observara que a exibição do colorido nas escamas de um peixe ou nas penas de uma ave serve tanto para atrair a fêmea como para manter à distância os demais machos e assim delimitar o território. As cores podem também ser da maior importância na camuflagem natural dos animais -- o chamado mimetismo (SUPERINTERESSANTE nº 7, ano 2) dos caçadores, como a pelagem das onças, e o das presas, como as penas da fêmea do faisão, por exemplo.

De modo geral, pode--se afirmar que nesses bichos as cores são o resultado de um longo processo de seleção natural, em que elas cumprem muito bem os seus papéis. Isso não significa, porém, que todo e qualquer tipo de coloração deva estar desempenhando uma função adaptativa essencial na vida animal. Afinal, os mecanismos de seleção natural tendem a favorecer a propagação das características que colocam as espécies, e dentro delas os indivíduos, em vantagem na luta pela sobrevivência -- em detrimento das características que prejudicam a adaptação dos animais ao meio ambiente.

Já as características “neutras”, que não jogam nem a favor nem contra a sobrevivência, permanecem, por assim dizer, quietas no seu canto. Assim, se um belo colorido não prejudicar a perpetuação de uma espécie, poderá continuar enfeitando os seus representantes por muito tempo. As cores surgem sobre o revestimento externo de um animal sem obedecer a nenhum critério determinado, ainda que possam vir a desempenhar papéis de sinalizadores, como se viu. Sobre penas, escamas ou pêlos, elas se apresentam de duas formas bem características: cores estruturais e cores pigmentares.

Quando a luz sofre alterações ao atingir certas estruturas do revestimento animal, surgem as cores estruturais. Um bom exemplo desse fenômeno é o que acontece com a luz ao incidir sobre as asas brilhantes de uma borboleta-azul (SUPERINTERESSANTE nº 1, ano 1). Se os raios luminosos incidirem verticalmente sobre a superfície da asa, a cor refletida será o azul. Já alterações nos ângulos de incidência de luz provocarão variações de reflexos azuis-esverdeados, azuis-violeta e até mesmo algumas nuances de vermelho-púrpura. Isso acontece porque as asas dessa borboleta estão recobertas de minúsculas escamas, umas ao lado das outras. Cada uma possui uma série de ranhuras microscópicas que agem como microprismas, decompondo os raios luminosos em vários componentes -- o mesmo fenômeno que ocorre nas rachaduras de um LP. Nessas circunstâncias os olhos percebem aquilo que se costuma chamar de iridescência.

Já as cores pigmentares resultam da presença de certa categoria de moléculas junto à superfície de revestimento do animal. Parte da luz que incide sobre esses pigmentos é absorvida e parte é refletida. Nesse caso, a parte refletida é percebida como uma “cor”. Na prática, porém, as cores decorrem de um processo bem mais complicado pois num único animal colorido podem coexistir cores estruturais e pigmentares. As cores pigmentares são geralmente menos estáveis que as outras. Suas moléculas muitas vezes fluem através da hemolinfa -- o equivalente ao sangue nos insetos -- ou ficam alojadas em microscópicas vesículas constantemente irrigadas pelos fluidos do organismo. Com o animal morto, em pouco tempo as cores começam a se desvanecer. É o que acontece com os pálidos bichos conservados em álcool ou formol nos museus. Murchos e decorados, parecem advertir que a extrema beleza alcançada por aqueles organismos precisa ser conservada -- viva.

Para saber mais:

Salvos pelo mimetismo (SUPER número 7, ano 2)


fonte;http://super.abril.com.br/mundo-animal/mundo-animal-cores-ao-vivo-438868.shtml

quarta-feira, 1 de julho de 2009

As maiores descobertas da física


por Alexandre Versignassi

O que somos? De onde viemos? Ninguém tem como responder. Mas muita gente já tentou. Primeiro, olhando para o céu. Depois, indo fundo na matéria. As grandes descobertas vieram da evolução ou da junção de várias idéias geniais. Ou, como disse Isaac Newton: “Eu vi mais longe que os outros, mas porque estou sentado no ombro de gigantes”. Veja o que esses gigantes nos ensinaram.

1543 - Modelo heliocêntrico

Em 300 a.C., o grego Aristarco de Samos já defendia que a Terra girava em torno do Sol. Mas foi só com o astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) que a hipótese virou teoria com base matemática. Mesmo assim, ainda levaria mais de um século para o modelo heliocêntrico ganhar status de irrefutável.


1618 - 3ª Lei de Kepler

O alemão Johannes Kepler (1571-1630) era um dos poucos defensores da teoria de Copérnico. Tanto que acabou melhorando a coisa. Descobriu que, quanto mais perto um planeta estivesse do Sol, maior seria a velocidade de sua órbita. Quer dizer: um astro podia afetar outro sem que eles sequer se tocassem. Como? Isso só seria descoberto uns anos mais tarde.

1686 - Teoria da gravitação

O físico inglês Isaac Newton (1643-1727) descobriu que existe uma estranha força de atração por trás da matéria. E que essa força que mantém os planetas presos ao Sol só podia ser a mesma que gruda nossos pés no chão. Deu nome latino à tal força: gravitas (peso).


1803 - Teoria atômica

O mundo é feito de átomos. Isso o grego Demócrito já defendia em 400 a.C. Mas foi o químico inglês John Dalton (1766-1844) quem deu o passo decisivo. Ele viu que cada tipo de gás numa mistura se comportava de um jeito diferente, e concluiu que eles eram formados por átomos diferentes. Os tijolinhos de matéria deixavam a filosofia e entravam para a ciência.

1873 - Força eletro-magnética

Não é só de gravidade que vive o Universo. Quem notou isso foi o físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879), o primeiro a mostrar de que forma funciona a força eletromagnética. Depois, descobriria-se que ela é a “gravidade dos átomos”: a força que mantém os elétrons na órbita dos núcleos atômicos, trilhões e trilhões de vezes mais forte que a gravitacional.

1901 - Teoria dos quanta

Se a matéria é feita de átomos, porque a energia não seria? Foi o que pensou o físico alemão Max Planck (1858-1947). Sua Teoria dos Quanta mostrava “bolinhas” indivisíveis de energia formavam a luz e o calor. Quatro anos depois, um experimento de outro físico provou que Planck estava certo – e abria caminhos para a física nuclear.


1905 - Teoria da Relatividade Especial

O alemão Albert Einstein (1879-1955) descobriu que matéria e energia não dançam num cenário estático, feito de espaço e de tempo. Ele deixou claro que o tempo é maleável. Quanto mais rápido alguém se move, mais devagar caminha pelo tempo. Se você pudesse correr a 1 bilhão de km/h, veria um século passar em um segundo pela janela do carro.


1916 - Teoria da Relatividade Geral

Com a teoria, Einstein provou que a gravidade não é uma força, mas o resultado de uma geometria invisível do espaço e do tempo. Resumindo: quanto mais massa um corpo tiver, mais deforma essa geometria. E, maior a deformação, maior será a gravidade.

1927 - Teoria quântica

Um corpo pode ficar em vários lugares ao mesmo tempo. Sim, basta que ele seja pequeno como uma partícula subatômica. Quando o físico alemão Werner Heisenberg (1901-1976) descobriu isso, estava fundada a física quântica – ela rege o mundo ultramicroscópico, um lugar onde a noção de espaço deixa de fazer sentido: é como se tudo estivesse sempre em todo lugar.

1948 - Modelo do Big Bang

O astrônomo americano Edwin Hubble (1889-1953) percebeu, em 1924, que as galáxias se afastam umas das outras. Com base nisso, o físico russo George Gamow (1904-1968) imaginou que toda a matéria já se reuniu em um ponto infinitesimal, que “explodiu” há 15 bilhões de anos num evento batizado de Big Bang. O Universo ganhava uma data de nascimento.



Fonte:

http://historia.abril.com.br/ciencia/maiores-descobertas-fisica-434142.shtml
http://www4.usp.br/arquivos/RR__5531_fisica2.jpg
http://www.algosobre.com.br/images/stories/assuntos/biografias/Nicolau www.jornallivre.com.br/images_enviadas/o-que-e-a-lei-da-gravitacao-un.jpg
http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/fisica/f-igual-k.gif
http://www.quintaldasexatas.com/pic/fisica.jpg

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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