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quinta-feira, 11 de junho de 2009

O que a ciência sabe sobre as terapias alternativas

Algumas práticas como massagem, acupuntura e musicoterapia têm seus benefícios comprovados pela ciência e ganham espaço como complementos do tratamento convencional

LAURA LOPES

Massagem, acupuntura e musicoterapia podem parecer terapias alternativas demais para os céticos. No entanto, produzem ótimos resultados em pacientes psiquiátricos, com câncer e crianças. Pesquisas recentes também já provaram a eficiência dessas medidas no combate a dores generalizadas, musculares, irritabilidade e depressão – sintomas relacionados a vários tipos de doenças. A importância é tanta que o governo brasileiro aprovou, em maio de 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que incentiva a introdução de atividades pouco comuns à medicina ocidental, como homeopatia, fitoterapia, ginástica chinesa, tai chi chuan e medicina antroposófica no Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma pesquisa do Hospital Royal London Homeopathic com profissionais da saúde de Londres mostrou que há um interesse considerável por parte dos pacientes e dos especialistas em saber mais sobre terapias alternativas e em se submeter a elas. Muitos deles responderam ser favoráveis à associação da medicina tradicional a essas terapias milenares. As justificativas são várias: de falha no tratamento convencional a evidências de que elas realmente ajudam no bem-estar dos pacientes. Nos Estados Unidos, 42,8% das americanas e 33,5% dos americanos usam algum tipo de terapia alternativa, segundo uma pesquisa publicada no fim do ano passado pela Universidade de Colorado.

Essa busca por outros tipos de tratamento retoma o cuidado integral da saúde das pessoas, uma prática milenar disseminada pelos chineses e indianos no mundo ocidental. Por isso, é muito comum encontrar, naquele lado do mundo, muitos trabalhos científicos publicados nos últimos dois anos sobre esse tipo de tratamento. No Instituto de Medicina Oriental da Coreia do Sul, pesquisadores fizeram uma revisão científica sobre os resultados efetivos da acupuntura sobre a rinite alérgica e concluíram que ela pode tratar e prevenir a doença crônica.

Na National Yang-Ming University, de Taiwan, pesquisadores não encontraram indícios de que a acupuntura possa ajudar na perda de peso entre mulheres obesas, mas afirmam que ela é capaz de reduzir a taxa de hormônios diretamente ligados à doença. Ao menos em ratos, cientistas da Kyung Hee University, da Coreia do Sul, encontraram provas de que a acupuntura diminui a ansiedade a ajuda a combater a depressão.

A acupuntura também se mostrou um grande aliado no combate à enxaqueca. Um grupo de cientistas de três centros de pesquisa da China percebeu grandes melhoras em relação ao desconforto causado pela doença e efeitos de prevenção de novos surtos de dores, provando que o método tem efeitos fisiológicos no organismo.

No ocidente, os estudos também apresentam resultados positivos. Uma revisão científica feita por pesquisadores ingleses, da Keele University, em relação a tratamentos eficazes contra hérnia de disco indicou que a acupuntura e a massagem são seguras e efetivas, assim como a manipulação espinal e os remédios convencionais.
Música
A música pode ajudar no tratamento de algumas doenças, principalmente as neurológicas. Um grupo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, percebeu que a aplicação da música pode afetar as pessoas sob vários aspectos, principalmente os pacientes com graves problemas de saúde mental. Um artigo que saiu no começo do ano na publicação J Music Ther, mostrou dados significativos de melhora na qualidade de vida desse tipo de paciente, embora os sintomas das doenças não tenham sido alterados.

Segundo um trabalho feito no Hospital Universitário de Montpellier, na França, a musicoterapia tem um impacto positivo entre pessoas com Mal de Alzheimer. De acordo com o estudo, a música ajuda a preservar, ou amenizar, diversas alterações causadas pela doença: sensoriais, cognitivas, emocionais, comportamentais e sociais. Músicas instrumentais, como clássica, jazz e world music, foram usadas para estimular os pacientes a recordar histórias e imagens do passado.

A eficiência do tratamento pode ser medida por meio dos depoimentos de pacientes que se encontram nos primeiros estágios da doença. Depois das sessões, todos eles expressaram sensação de bem-estar e prazer, dizendo coisas como "Eu não sabia que a música poderia ter esse tipo de impacto sobre mim" ou "Essa música me lembra minha infância". O nível de ansiedade, assim como de depressão, caiu de forma significativa. Um estudo da Universidade de Innsbruck, na Áustria, diz que a música provoca mudanças fisiológicas nas pessoas. Ela ativa partes do cérebro, principalmente o córtex temporal e frontal, tálamo e cerebelo, essenciais para a percepção do ritmo, melodia e harmonia.
Massagem
No Brasil, o massoterapeuta já é uma classe profissional, ainda que muitos médicos torçam o nariz para ela. A massagem pode não curar doenças em fases agudas, mas ajuda a melhorar vários sintomas e a prevenir recaídas. Em mulheres com câncer de mama, provou ser um importante fator para queda do nível de estresse, segundo estudo da Universidade de Göteborg, da Suécia. Uma leve massagem sobre o corpo diminui a pressão sanguínea, a frequência cardíaca e a morte das células NK (um tipo de linfócito, que trabalha para a proteção do organismo) durante a radioterapia. Os efeitos, no entanto, são de curto prazo. Outro estudo, de pesquisadores de Kansas, mostrou que, depois de três semanas massagem, mulheres com câncer de mama tiveram uma melhora em sua qualidade de vida – como diminuição da ansiedade e da dor e melhor qualidade do sono.

Uma pesquisa da Universidade do Colorado com 380 pacientes de câncer em estágio avançado, que sentiam muitas dores, mostrou que a massagem aplicada por um especialista ajuda a diminuir a dor e a depressão. Para esse tipo de paciente, qualquer alívio significa muito. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, de 15 a 25% dos pacientes com a doença ficam deprimidos em algum momento do tratamento – muitas vezes, as relações pessoais acabam se limitando aos contatos com médicos e enfermeiros. A massagem também pode ajudar mães a lidarem com seus filhos: bebês e crianças que recebem massagem tendem a chorar menos, ficam mais relaxados e interagem melhor com suas mães.

Um estudo com neurocirurgiões do Hospital da Criança de Seattle, nos Estados Unidos, revelou que 75% de seus pacientes seguiam, além do tratamento convencional, práticas como acupuntura, fitoterapia, massagem, ioga e orações. O estudo mostrou também que 63% dos médicos consideram tais práticas tão importantes que recomendam que elas façam parte do tratamento mesmo em casos de neurocirurgia.

Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI77107-15210,00.html

sábado, 6 de junho de 2009

Respiração, a chave para a meditação



Por Eduardo Diório

São Paulo, 04 (AE) - A medicina tradicional tem realizado, cada vez mais, grandes avanços na descoberta de novos tratamentos para as enfermidades que afligem o ser humano. Paralelamente, as terapias alternativas também têm comprovado que, por meio da sensibilidade e das emoções bem-reguladas, é possível aumentar o bem-estar físico e mental.

A meditação é um poderoso aliado do corpo e da alma que consegue, com alguns exercícios, ajustar o que para muitos parece impossível de ser ajustado."A meditação acalma, nos ajuda a encontrar nossa fonte de luz, criatividade, intuição, saúde e fé", garante Ivete Costa, consultora holística especializada em psicologia transpessoal.

A palavra meditação vem do latim (meditare, que significa voltar-se para o centro, no sentido de afastar-se um curto período de tempo do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si). A técnica, ligada a religiões orientais, como o budismo, é considerada tão antiga quanto a humanidade. Atualmente, porém, não é preciso seguir uma seita para praticá-la. "Por não ser religiosa, demorei para me render aos benefícios da meditação, já que achava que teria de rezar ou conversar com Deus todos os dias.

Seria uma coisa forçada", lembra Fernanda Schultz, cantora e professora de inglês, de 30 anos. Foi um amigo do trabalho que apresentou a técnica a ela. "Ele me levou a um espaço lindíssimo e amei. Os meus pensamentos não eram dos melhores naquela época. Foi aí que percebi que não era preciso ter religião, mas sim estar aberta a novas vivências. Minha vida mudou para melhor. É a pura verdade."

Assim como Fernanda, milhares de pessoas tentam encontrar a luz no fim do túnel praticando diariamente a meditação. De acordo com uma pesquisa norte-americana elaborada no ano passado pela Universidade de Massachusetts, mais de 10 milhões de pessoas meditam regularmente somente nos Estados Unidos.

Para que a dedicação dê resultados, é preciso fazer uso de uma importantíssima ferramenta natural: a respiração. Não pense, porém, que é aquela respiração automática - e muitas vezes feita de maneira errada. É preciso reaprender a respirar e, assim, começar a usufruir de benefícios físicos e emocionais.

Segundo a equipe de profissionais da organização não-governamental (ONG) Arte de Viver, quando respiramos errado os pulmões são forçados e acabam precisando se movimentar rapidamente para garantir o fluxo de oxigênio necessário. Como consequência, o coração também é obrigado a acelerar o ritmo para conseguir fornecer sangue suficiente e transportar o oxigênio.

O resultado disso é a desorganização de vários órgãos, principalmente o cérebro, o que provoca reações negativas no corpo, como ansiedade e estresse. E a meditação é vista como capaz de exterminar esses dois vilões.

A respiração correta é como a dos bebês, que inspiram e expiram profunda e lentamente. Quando a pessoa leva ar para a parte inferior dos pulmões, onde as trocas de oxigênio são mais eficazes, tudo no corpo se modifica. O ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam, a ansiedade cessa e a mente se acalma. "Com este tipo de respiração é possível melhorar a má digestão, aliviar a ansiedade, elevar a qualidade do sono, entre outros benefícios. Isso prova o poder da meditação", afirma Cristina Armelin, psicóloga e coordenadora da ONG .

Para alcançar uma forma de respiração mais eficiente, a receita é a prática: exercícios constantes, que podem ser feitos em casa ou nos centros de meditação, em sessões de aproximadamente 20 minutos por dia. Como a respiração correta ajuda a aliviar a mente das frustrações passadas e da ansiedade com o futuro, ela tem a capacidade de trazer o indivíduo para o momento presente, melhorando a sua qualidade de vida. Para muita gente, o problema está exatamente aí, por não saber como esvaziar a mente, principalmente durante o trabalho de meditação.

"No começo, quem é mais disperso terá um pouco de dificuldade para aprender a se desligar", avisa Lucimara Soares, professora de ioga e meditação da Escola Yoga HariOm. Ela, que pratica a técnica de relaxamento há 11 anos, garante que é possível neutralizar os pensamentos com o tempo.

"A pessoa precisa começar a prestar atenção na respiração. Feito isso, quando aquele turbilhão de ideias surgir, o importante é focar em apenas uma coisa por vez. Perceba no que está pensando e volte a focar na respiração." Assim, segundo Lucimara, a pessoa adquire a capacidade de se concentrar cada vez mais na respiração e menos nos pensamentos.

DE PÉ, SENTADO OU DEITADO?

A postura ideal para descansar a mente varia de pessoa para pessoa. "Tem gente que prefere meditar sentado, na chamada posição de lótus, com as pernas cruzadas. Outras gostam de relaxar deitadas em um local macio. O importante é deixar a coluna esticada e sentir-se confortável. Com o tempo, dá para incrementar com outros movimentos e até para meditar de pé", conta.

Para que isso ocorra, é importante ter dedicação diária de no mínimo 15 minutos. "Quando estiver seguro, aumente o tempo até chegar a uma hora. Aí, poderá sentir o corpo vibrando e conseguir emanar energia para os chacras."

De acordo com Pedro Tornaghi, astrólogo e professor de meditação, "todo ser humano tem sete chacras, ou centros de energia que, espalhados pelo corpo, funcionam como redemoinhos que captam, absorvem e distribuem a energia pelo organismo".

Por meio da meditação, é possível renovar a energia pessoal, livrando-se dos pensamentos negativos e das tensões focalizando em cada chacra. "Em consequência, também desaparecem as dores de origem psicossomáticas, provocadas pela distância entre o real e o idealizado pela mente."

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Professora de anatomia disseca o corpo de sua avó, doado por vontade própria Publicidade

JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo

Ao ver o primeiro corpo doado por vontade própria ao Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em setembro do ano passado, a dentista Thelma Parada, 31, agiu com naturalidade.
Ainda que o cadáver fosse de sua avó paterna, Eunice, uma senhora de 85 anos que guardava desde 1978 a carta de consentimento de doação voluntária de seu corpo à ciência. "Fiquei orgulhosa de ser neta dessa pessoa, que pensava na ciência e no progresso da humanidade", diz.



Ela pediu autorização para dissecar o corpo da avó e foi responsável por fazer o primeiro corte no cadáver. Depois, o corpo ficou mergulhado em formol por alguns meses para ficar mais anatômico e, agora, é dissecado pelos alunos do departamento.

"Desde então, eu sou a única pessoa da família que vê a minha avó. Pelo menos uma vez por mês eu passo no laboratório para ver como andam as coisas. Consigo enxergar [o corpo] como um material muito rico, eu sofro muito mais ao ver um corpo ser enterrado", explica.

Thelma, que já fez sua carta de consentimento, defende a doação voluntária de corpos para melhorar os estudos de anatomia, disciplina que leciona na Unip. "As faculdades têm cada vez menos corpos, o processo é lento no caso de indigentes; as pessoas precisam se conscientizar sobre isso", alerta.

Sua avó sonhava em estudar medicina, mas foi proibida pelo pai e decidiu que "ajudaria a ciência pelo menos depois de morta".

Eunice solicitou aos familiares que não a velassem no dia de sua morte. Depois que morreu, seu corpo foi encaminhado diretamente para o Serviço de Verificação de Óbito de São Paulo e, de lá, para a USP. Os parentes se reuniram em casa.

"O fato de eu sempre ter lidado bem com a morte e ter gostado tanto de estudar anatomia deve ser influência da minha avó", diz Thelma.



http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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