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quarta-feira, 24 de junho de 2009

O que fazer com 250 mil toneladas de resíduos nucleares?

O que fazer com 250 mil toneladas de resíduos nucleares?

Le Monde

Pierre Le Hir

"Por que razão se tiraria das gerações futuras a possibilidade de decidirem por elas mesmas?" A pergunta feita pelo sociólogo Michel Callon, professor na École des Mines [grupo de faculdades de Engenharia na França], está no cerne da nova doutrina francesa sobre os resíduos nucleares. Ela se apoia no conceito de "reversibilidade" das soluções técnicas, mas também das escolhas políticas. Um colóquio acaba de ser organizado sobre esse tema, em Nancy, pela Agência Nacional para a Gestão dos Resíduos Radioativos (Andra), prelúdio para uma conferência internacional prevista para 2010.

"O estoque de combustíveis usados acumulado no mundo chega a 250 mil toneladas", lembra Bernard Bouillis, do Comissariado para a Energia Atômica (CEA). Mesmo se amanhã se parassem todas as centrais, o problema continuaria existindo. Na França, 1.150 toneladas de combustíveis irradiados são despejados a cada ano dos 58 reatores do grupo EDF, entre as quais 850 toneladas reprocessadas.

Esses resíduos finais só representam um volume relativamente pequeno: pouco menos de 50 mil toneladas para a França, provisoriamente armazenadas nas usinas de reprocessamento, em La Hague (Mancha) e Marcoule (Gard). Mas esses rejeitos concentram mais de 99% da radioatividade total. Alguns são de altíssima atividade. Outros, de vida longa: milhares, até milhões de anos.

Para essas substâncias muito nocivas, a opção mundialmente mantida é o armazenamento em formações geológicas profundas, capazes de confiná-las durante várias centenas de milhares de anos. Foi para validar essa solução que, sob o município de Bure (entre Meuse e Haute-Marne), a Andra escavou, a 490 metros de profundidade, em uma camada de argilito, um laboratório.

"Trata-se de uma instalação de pesquisa, que não constituirá o futuro local de armazenamento", explica Marie-Claude Dupuis, diretora-geral da Andra. Este estaria situado em um perímetro de 30 quilômetros quadrados em torno de Bure, onde seria enterrada uma rede de 15 quilômetros quadrados de galerias e alvéolos subterrâneos.

Se, pelo menos, o Parlamento e o governo derem o sinal verde. Um debate público está previsto para 2013, antes de uma investigação e um pedido de autorização de construção em 2015, para uma possível ativação em 2025.

Nada é certo. Apesar da promessa de 700 a 1.000 empregos diretos, a oposição local continua forte: mais de 50 mil eleitores dos dois departamentos pediram um referendo local. Foi a hostilidade persistente de uma parte da população, junto com a constatação de que os estudos sobre a gestão dos resíduos radioativos pedem para ser mais detalhados, que conduziu o Parlamento a inserir na lei, em junho de 2006, a exigência da reversibilidade. Isso por uma duração de no mínimo cem anos. "Esse princípio é crucial para dar aos cidadãos a melhor segurança, mas também para deixar à ciência uma chance de propor alternativas no futuro", justifica Claude Birraux, presidente da Comissão Parlamentar de Avaliação das Opções Científicas e Tecnológicas (Opecst, sigla em francês).

Nem todos os países fizeram a mesma escolha, ressalta Claudio Pescatore, da Agência para a Energia Nuclear da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nos Estados Unidos e na Suíça, a reversibilidade é, como na França, exigida por lei. No Canadá e no Japão, pelo governo. Na Suécia e na Finlândia, ela não é requerida, mas é prevista pelos exploradores da atividade nuclear. Na Inglaterra, ela é objeto de debate.

A reversibilidade pressupõe que se possa, a qualquer momento, retirar a carga radioativa de seus alvéolos subterrâneos. Mas também que se possa voltar atrás nas escolhas de gestão de resíduos. O que levanta diversas questões. Como garantir o mesmo nível de segurança para um armazenamento suscetível a ser reaberto que a uma obra selada definitivamente? Como ter certeza que, nas próximas décadas ou séculos, as instituições políticas serão pelo menos tão estáveis quanto as formações geológicas, e que elas garantirão os processos de decisão democráticos? Como imaginar seriamente que, uma vez lançado, se poderá voltar atrás em um projeto orçado, entre a construção e a exploração por um século, em € 15 bilhões?

Por enquanto, a Suécia é o primeiro país a ter escolhido um local de armazenamento profundo, em granito. Todos os outros fazem rodeios. Nos Estados Unidos, o projeto de enterramento na rocha vulcânica da Montanha Yucca, no deserto do estado de Nevada, acaba de ser "enterrado" por Barack Obama. Na Alemanha, o armazenamento na mina de sal de Görleben foi suspenso pela moratória nuclear. O Japão, o Canadá e a Inglaterra estão procurando locais. A Espanha por enquanto privilegia o armazenamento. A China, a Índia e a Rússia não se posicionaram.

Tradução: Lana Lim


Fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/06/24/ult580u3779.jhtm

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Governo de Santa Catarina pensa mais em sexo em que literatura"

artigo de Alessandro Martins

O escritor Oscar Wilde disse certa vez que não existem livros morais ou imorais: existem sim livro bem escritos e livros mal escritos.

Ele está certo, mas no que diz respeito à literatura para escolas, é claro, é necessário tomar cuidado, afinal há crenças, pudores e a puericultura em jogo.

Ao adotar um livro para o ensino público, um governo precisa avaliar com precisão o material a fim de que não tenha de retirar de sua listinha de compras - que inclui elásticos para dinheiro, clipes, papel higiênico e, possivelmente, cotonetes - 130 mil exemplares de determinada obra sob os holofotes espalhafatosos de um espetáculo ridículo.

Veja: a avaliação tem de ser anterior, visto que a suposta formação moral dos jovens deveria estar no mesmo patamar que a formação literária e artística dos mancebos e donzelas. De maneira que a suposta formação moral não prejudique a artística e a artística não prejudique a moral.

O escritor Cristóvão Tezza foi vítima recentemente da inversão dessa ordem.

É legítimo que um sistema de ensino adote para si os valores morais que melhor lhe convierem, visto que trata-se de um sistema de ensino e visto que conveniência e moral costumam andar saltitantes e de mãos dadas pelas calçadas da História.

Mas, por favor, façam a coisa direito. Não tal e qual patetas.

O governo de Santa Catarina comprou 130 mil exemplares do livro Aventuras Provisórias, de Cristóvão Tezza, para que seus estudantes o lessem e fizessem provinhas de interpretação de texto. Lá pelas tantas alguém descobre três ou quatro linhas que descrevem sexo (não encontrei um plugin de WordPress que fizesse aparecer as chamas do inferno em torno da palavra sexo).

E, finalmente, por conta disso a compra é cancelada. Os livros são jogados na fogueira e o escritor também, com prejuízos morais que ele descreve em um excelente texto.

•Leia Não Me Adotem, de Cristóvão Tezza
A impressão que se tem depois desse episódio é que alguém do governo leu a orelha do livro, a biografia do autor (viu que se trata de um catarinense) e disse: “Ei, Johnny! Acho uma boa idéia adotarmos esse livro para nossos alunos fazerem provinhas de interpretação de texto, parceiro!”.

Sem mais.

Ou seja, o governo compra 130 mil exemplares - enfileirados são uns 30 quilômetros de livros (sim, eu calculei) - sem uma avaliação profunda da obra sob o microscópio dos padrões morais socialmente e governamentalmente hoje convenientes. Afinal é só um livro.

Isso demonstra o valor que o governo dá à literatura e ao que os seus alunos leem.

E quando alguém descobre, por acaso, que há um parágrafo de sexo (fogo, fogo do inferno!) lá no meio de uma das páginas, as luzes se acendem e as engrenagens da inquisição começam a rodar. Afinal é SEXO!!!!! (achei a cor vermelha, aleluia!)

Isso demonstra o valor que o governo dá ao sexo e ao que seus alunos pensam a respeito dele.

Não entrarei nos significados que tudo isso tem, pois confio no poder de seu discernimento, caro leitor, cara leitora.

Não entrarei nos méritos morais do Governo do Estado de Santa Catarina, mas esse é um caso clássico em que, para preservar-se os valores morais, feriram-se profundamente os valores éticos.

E mostrou-se como esses dois conceitos podem andar separados.

fonte:http://livroseafins.com/2009/06/04/governo-de-santa-catarina-pensa-mais-em-sexo-que-em-literatura/

terça-feira, 5 de maio de 2009

Governo americano quer criar força de guerra digital

O chefe da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, tenente-coronel Keith Alexander, afirmou que o país precisa criar uma força de guerra digital para o futuro.


Alexander, que também deve chefiar o novo Comando Digital do Pentágono, divulgou suas opiniões em um relatório para o subcomitê do Departamento dos Serviços Armados, que deve ser apresentado nesta terça-feira, e que teve alguns pontos destacados em um artigo da agência Associated Press.

No documento ele declara que os Estados Unidos precisam reorganizar suas operações digitais defensivas e ofensivas e que são necessários mais treinamento e recursos.

Durante os últimos seis meses, o Pentágono já gastou mais de US$ 100 milhões em reação e reparos a danos causados por ataques online.

O novo departamento chefiado por Alexander, o Comando Digital, terá sua base em Fort Mead, no Estado de Maryland, e será parte do Comando Estratégico dos Estados Unidos, responsável pela segurança das redes militares do país, além de trabalhar junto com o Departamento de Segurança Doméstica.

O departamento deve começar suas operações em outubro e apenas em 2010 será totalmente operante.

'Primitivo e incerto'

A entrega do relatório ao subcomitê do Departamento dos Serviços Armados americano ocorre poucos dias depois de o Conselho Nacional de Pesquisa, que faz parte da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, afirmar que as políticas americanas para guerra digital são "mal formadas, não têm uma supervisão adequada e pedem um debate público mais amplo".

O relatório também afirmou que "a natureza primitiva e incerta" das políticas de guerra digital do governo americano podem levar ao mal uso em uma possível situação de crise.

O governo americano deve publicar em breve os resultados de uma análise, que durou 60 dias, da segurança digital do país, pedida pelo presidente Barack Obama.

Em um outro documento, o major brigadeiro da Força Aérea americana e chefe de comunicações William Shelton, afirmou que os Estados Unidos dependem muito dos esforços da indústria para reagir a ataques pela internet o que, segundo ele, "não acompanham o nível da ameaça".

Peter Wood, diretor de operações da companhia de tecnologia britânica First Base Technologies e especialista em guerra digital, afirmou que os Estados Unidos têm todo o direito de se proteger.

"Minha opinião é de que a única forma de reagir contra atividades criminosas e de espionagem é ser proativo. É bom que os Estados Unidos estejam assumindo uma postura mais formal em relação a isso", afirmou.

"O único problema é que a internet, devido à sua natureza, não tem fronteiras e se os Estados Unidos assumirem o posto de polícia do mundo, isto pode não ser bem visto", acrescentou.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090505_euadefesadigitalfn.shtml

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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