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quinta-feira, 25 de março de 2010

O mundo de Ernest Hemingway

Momentos marcantes do século 20 foram cenário para vida e obra do escritor

por Ricardo Garrido e Tiago Cordeiro


1. Infância

Anos: 1899-1917

Fase do escritor: Nasce em Oak Park, Illinois. Aos 18 anos, começa a trabalhar no jornal The Kansas City Star. Logo depois, participa como voluntário na Primeira Guerra. Suas primeiras criações literárias aparecem após Hemingway se juntar a outros escritores autoexilados em Paris na década de 20. O grupo, que inclui Scott Fitzgerald e Ezra Pound, fica conhecido como a "geração perdida".

2. O Sol Também se Levanta

Ano de publicação: 1926

Personagem do livro: Jake Barnes, um jornalista americano que vive em Paris e busca um ideal de vitalidade nas touradas da Espanha. É o primeiro personagem autobiográfico do escritor.

Momento histórico:
Os eufóricos anos 20, época em que o mundo fervilhava ao som de jazz, com jovens exilados desfrutando uma súbita riqueza e em busca de valores que pareciam perdidos em seu país de origem.

3. Adeus às Armas

Ano de publicação: 1929

Personagem do livro: A exemplo de Hemingway, seu protagonista, Frederic Hendry, se alista como motorista de ambulância da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra. Ferido em combate na Itália, tem um caso com uma enfermeira em Milão - amor correspondido no livro, mas não na vida real.

Momento histórico:
A Primeira Guerra (1914-1918), relatada de maneira seca, concisa e realista.

4. As Verdes Colinas da África

Ano de publicação:
1935

Personagem do livro: O próprio Hemingway, em sua primeira obra de não-ficção.

Momento histórico: Enquanto o mundo assiste ao fortalecimento acelerado do fascismo e do nazismo, prenúncios da Segunda Guerra, o escritor caça animais selvagens nos safáris africanos.

5. Por Quem os Sinos Dobram


Ano de publicação: 1940

Personagem do livro: Robert John, um dinamitador americano que luta ao lado dos republicanos contra as tropas do general Franco, questiona-se quanto à validade da sua dedicação à guerra.

Momento histórico: A Guerra Civil Espanhola (1936-1939), uma das mais sangrentas do século 20. O próprio Hemingway participou do conflito como voluntário das brigadas internacionais, de esquerda.

6. O Velho e o Mar

Ano de publicação: 1952

Personagem do livro: Santiago, um velho pescador que enfrenta um marlim gigantesco, é um dos raros personagens não inspirados no próprio autor - que, um ano depois, receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Momento histórico: A bucólica Cuba retratada no livro tem o socialismo implantado em 1959. O escritor, que naquele momento ainda vive na ilha, apoia o golpe e fica amigo de Fidel Castro.

7. Morte

Ano: 1961

Fase do escritor: Após a saúde começar a cobrar o preço por décadas de aventuras e excessos, o já lendário romancista enfrenta crises de depressão e internações em clínicas de reabilitação. Em 2 de julho, ao constatar uma gradativa perda de memória e temendo a impossibilidade de escrever, suicida-se com um tiro de espingarda em uma cabana em Ketcham, Idaho.


http://historia.abril.com.br/gente/mundo-ernest-hemingway-518153.shtml
http://www.famouspeoplebiographyguide.com/images/What-Influenced-Ernest-Hemingway-To-Become-A-Famous-Writer.jpg

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cinco séculos de Carnaval carioca

Cinco séculos de Carnaval carioca

por Thiago Cid

Criado para aliviar as tensões antes do período cristão da quaresma, o Carnaval surgiu na Idade Média, embora festas de excessos existissem desde a Antiguidade. O nome vem de carnelevarium –?“adeus à carne” em latim. Da Europa para o mundo, em nenhum lugar?a festa foi tão difundida e modificada como no Brasil, onde o povo teve participação ativa. No Rio de Janeiro, isso foi ainda mais intenso.

Século 16 - LUTA NA LAMA

O primeiro Carnaval foi o entrudo, em que se faziam brincadeiras com lama, cinzas, farinha e fezes. Condenado em 1841, durou até o século 20, coexistindo com bailes e blocos. ?

1835 - CAEM AS MÁSCARAS

São realizados os primeiros bailes de máscaras no Rio de Janeiro. Inspirados nas festas parisienses, eles surgiram como desejo da elite por uma diversão sofisticada, em vez das brincadeiras grosseiras do entrudo.

1851 - PRIMEIRA ASSOCIAÇãO

Fundação do Congresso das Sumidades Carnavalescas, primeira sociedade carnavalesca do Rio. Inicialmente criadas para promover bailes, as sociedades passaram a organizar desfiles de mascarados e se tornaram o grande fenômeno do Carnaval no século 19.

1886 - DENTRO DA CORDA

É fundado o Cordão Estrela da Aurora, o primeiro registro dessas associações. Os cordões eram uma alternativa popular e barata às sociedades. Com batuques africanos, eram temidos devido à presença de capoeiristas.

1916 - MALANDRAGEM

Nasce o samba, na casa de Tia Ciata, a baiana mais famosa do início do século 20. Na antiga praça Onze, o local era ponto de encontro de compositores. Donga, freqüentador da casa, grava Pelo Telefone, primeiro registro existente do samba. ?

1928 - ESCOLA DO SAMBA

A Deixa Falar, primeira escola de samba, é fundada. O termo surgiu por causa da proximidade da sede da Deixa Falar com a Escola Normal, onde se formam os professores. O sambista e fundador da Deixa Falar Ismael Silva disse que ali se formariam os grandes professores do samba.

1932 - ESTAÇÃO PRIMEIRA

Primeiro concurso oficial das escolas de samba. A vencedora é a Mangueira, fundada em 1928. Angenor de Oliveira, 19 anos, foi o responsável pelo nome, cores e organização da escola. Seu apelido: Cartola.

1965 - ZONA SUL

É realizado o primeiro desfile da Banda de Ipanema, criada pelo agitador cultural Albino Pinheiro e pela turma do jornal O Pasquim – entre eles os cartunistas Jaguar e Ziraldo. Os desfiles da banda eram um símbolo de irreverência e protesto nos primeiros anos da ditadura militar.

1976 - É O BICHO

Primeira vez em que uma escola de samba considerada menor ganha o concurso. Sob o comando de Joãosinho Trinta, a Beija-Flor encantou o público com alegorias luxuosas e enormes. O enredo Sonhar com Rei Dá Leão foi uma homenagem ao jogo do bicho.

1984 - NA SAPUCAÍ

Inauguração do sambódromo e criação da Liga Independente. É o início da fase profissional da festa. A transmissão dos desfiles passa a ser cobrada.

Fontes de pesquisa:
http://historia.abril.com.br/cultura/carnaval-evolucao-nota-10-435880.shtml
http://www.tvbrasil.org.br/carnavaldopovo/videos/carnavalantigo002.jpg

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A festa da Páscoa surgiu antes de Jesus e dos judeus?

por Fábio Marton

Em março de 250 a.C., os romanos celebram uma festa religiosa em que o protagonista é um ser meio homem, meio deus, que nasceu de mãe virgem e ressuscita a cada ano. Presentear ovos faz parte da cerimônia. Não estamos falando da Páscoa, mas de uma das festas que a originou: a homenagem à deusa Réia e ao pastor Attis, o personagem que ressuscita.

Muito antes do Cristianismo, celebrava-se a entrada da primavera em rituais que têm muito em comum com a Páscoa dos cristãos. Praticamente, todos os povos têm sua versão da festa: entre os romanos é a festa da deusa Réia ou Cibele. Entre os egípcios, a comemoração era para Osíris – que também ressuscitava. Até mesmo o Pessach, a páscoa judaica que deu origem à cristã, surgiu dos rituais da primavera dos pastores e agricultores hebreus, com seus pães sem fermento e sacrifício de animais.

Se a Páscoa já tinha semelhanças com a festa romana, aumentam mais ainda no século 9, com a conversão dos povos germânicos ao Cristianismo. Exatamente como na Antiguidade, os símbolos das festividades pagãs acabaram incorporados à celebração cristã. É o caso do coelhinho, por exemplo: o bicho era nada menos que a representação a deusa da primavera entre povos bárbaros. Ainda hoje, Páscoa é chamada Ostern em alemão e Easter em inglês – derivações do nome da deusa Eostre. Conotações sexuais da fertilidade comemorada nos ritos pagãos também influenciaram a cerimônia cristã. Até meados do século 20, a Páscoa inglesa incluía brincadeiras eróticas, como levantar uma mulher três vezes – só para ganhar um beijinho.



...Ovos de Páscoa já foram artigo de joalheria?

Fábio Marton

Os ovos de chocolate só foram inventados por confeiteiros franceses no século 18. Mas, desde a Idade Média, ovos decorados, comestíveis ou não, são presentes tradicionais nesta época do ano. No século 19, o joalheiro franco-russo Peter Carl Fabergé presenteou a corte russa com um magnífico ovo da Páscoa de platina, recheado com uma gema de ouro, contendo um pintinho de jóias e uma réplica da coroa russa. A czarina gostou tanto que o contratou como joalheiro oficial, e ele passou a preparar surpresas para a realeza todo ano. Seus ovos da Páscoa tornaram-se peças disputadas entre colecionadores de todo o mundo. Hoje, não são vendidos por menos de 3 milhões de dólares.

Santa fome!
• A Quaresma – período de 40 dias de jejum parcial que vai da quarta-feira de Cinzas até o domingo de Páscoa – tem, na verdade, 46 dias. É que os domingos não contam.

• A mania de passar fome antes da Páscoa foi invenção dos judeus: o período de abstinência seguido de um banquete é um sinal de que o Pessach se originou da comemoração da passagem das estações do ano – fome no Inverno, fartura na primavera.

• Os muçulmanos não têm Páscoa, mas têm o equivalente à Quaresma – um período de restrições. Durante os 28 dias do mês de Ramadã, os fiéis jejuam entre o amanhecer e o pôr-do-sol.

• Hoje, quando consumir uma boa cerveja, agradeça à obediência dos monges alemães do século 9 à Quaresma. Como o jejum era apenas de sólidos, eles fabricavam cerveja (chamada de “pão líquido”) para beber durante o período. Isso contribuiu muito para a evolução da bebida na Europa. Ainda hoje, tipos sofisticados do produto estão ligadosa monastérios, como a cerveja trapista.

Fonte de pesquisa:http://historia.abril.com.br/cultura/festa-pascoa-surgiu-antes-jesus-judeus-433614.shtml

domingo, 6 de dezembro de 2009

A verdadeira história do Natal



A humanidade comemora essa data desde bem antes do nascimento de Jesus. Conheça o bolo de tradições que deram origem à Noite Feliz

Thiago Minami e Alexandre Versignassi


Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de uma longa comilança.
Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de "nascimento" do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. Qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência.
A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o "renascimento" do Sol. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.
A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno - pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, esse culto é o que daria origem ao nosso Natal. Ele chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.
Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. "O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes", dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome ("Religiões de Roma", sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias - mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.


fontes: http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_192443.shtml

domingo, 7 de junho de 2009

Piadas foram herdadas dos gregos da mesma forma que filosofia e democracia



Pesquisadora britânica diz que humor atual vem de 2.000 anos atrás.
Ela estuda o 'Philogelos', mais antigo livro de piada de que se tem notícia.

Essa é velha: um barbeiro, um careca e um professor estão viajando juntos. Eles precisam parar para acampar à noite, e revezam a vigilância das bagagens ao longo da noite. Quando é a vez do barbeiro ficar acordado, ele fica entediado e raspa a cabeça do professor. Quando o professor é acordado para seu turno, ele sente sua cabeça e diz: “que estúpido é esse barbeiro. Ele acordou o careca no meu lugar”. Se não teve tanta graça ler essa piada hoje, é bom saber que todas as piadas que têm graça atualmente devem muito a ela, que era bem popular na Grécia de 1.600 anos atrás.

“O humor antigo, o riso, foi herdado dos antigos gregos da mesma forma como herdamos a ideia de democracia, a filosofia”, explicou, em entrevista ao G1 a pesquisadora britânica Mary Beard, que vem analisando o “Philogelos”, mais antigo livro de piadas de que se tem registro. O livro traz uma lista com 260 brincadeiras no estilo desta acima.

O "Philogelos" pode ser visto quase como um elo perdido das piadas. Ele traz o formato de piadas como as que usamos até hoje, e faz com que tenhamos uma ideia muito simples e clara do que é uma piada.

À primeira vista, era de se esperar que o tipo de piadas de 2.000 anos atrás seria muito diferente, mas não. O humor da antiguidade, disse, era muito parecido com o atual. “O humor é universal. As pessoas de todo o mundo riem das mesmas coisas. Há uma herança maior desse humor no mundo ocidental, naturalmente", diz.

Quando pensadores começaram a tentar entender o que era o humor e o que fazia as pessoas rirem, durante a Renascença, eles se voltaram para a Antiguidade Clássica, para entender a idéia de piada. "Da Renascença, herdamos a estrutura de piada como é usada no mudo ocidental atualmente, com personagens semelhantes e frases de efeito parecidas. Aprendemos com os antigos, e acabamos reproduzindo mesmo dois milênios depois.”

Mudanças


Claro que as piadas antigas não são exatamente iguais às de hoje. Não rimos de tudo o que eles achavam engraçado na época, explicou. O humor tinha liberdade para ser mais politicamente incorreto, zombando de pessoas com deficiência, por exemplo, o que praticamente não existe mais atualmente.

Um tema frequente nas piadas da época estava a questão da identidade. Havia uma grande preocupação dos antigos com ideia de saber quem eles eram, e as piadas refletem um pouco isso. "Essa preocupação não existe mais atualmente, então as piadas sobre este assunto não funcionam mais tão bem atualmente. As piadas ajudam a entender um pouco a cabeça das pessoas da época.”

Uma outra piada do livro ajuda a exemplificar isso: Dois homens se encontram depois de muito tempo sem se verem. Um deles diz: “que estranho, me disseram que você tinha morrido”, e o outro responde: “bem, você pode ver que continuo vivo”, mas o primeiro discorda e replica: “A pessoa que me disse que você morreu é muito mais confiável de que você”.

Segundo Beard, não é possível falar em evolução no humor, mas percebe-se que ele, naturalmente, passou por mudanças com o tempo. “Hoje não rimos mais de problemas de identidade, temos um maior controle com o politicamente correto. Na época, não se fazia piada sobre crianças, que á algo muito popular nas piadas modernas. Há mudanças que acompanham a cultura, as piadas refletem a mentalidade da época, mas o formato básico continua o mesmo”, disse.




http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1052225-16107,00.html

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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