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terça-feira, 14 de julho de 2009

Fazer sexo por dinheiro já foi um ato sagrado

por Álvaro Silva

O costume pode assombrar as mais liberais das mocinhas de hoje, mas foi registrado pelo grego Heródoto, no século 3 a.C. Na Babilônia, nenhuma mulher se casava antes de passar pelo templo de Istar, deusa do amor e da fertilidade. Lá, ficava à espera do primeiro homem que lhe jogasse uma moeda. Os mais generosos jogavam três. Mas o que importa é que a mulher não podia recusar o parceiro: para os babilônicos, a deusa ficaria muito ofendida caso a oferta não fosse aceita, e o casamento da jovem não teria o menor futuro.

Segundo Heródoto, depois de pegar os trocados, a senhorita deveria tirar a roupa e transar com o estranho ali mesmo, no templo da deusa.

Outra pista histórica da fé em Istar é o poema da sacerdotisa Enheduana, filha do rei Sargão de Agade (2334-1179 a.C.), que alertava: “Desde que a senhora Istar desceu à terra do Sem-Retorno / O touro não cobre mais a vaca, o asno não se curva mais sobre a sua fêmea / O homem não se curva para a mulher na rua / O homem dorme em seu aposento / A mulher dorme sozinha”.

Fonte:

"Deusas" casavam com reis

Álvaro Silva

No mesmo período em que mulheres se prostituíam em nome de Istar, devotas de Inana – deusa da fertilidade dos sumérios – encenavam o casamento da divindade. Durante a celebração, que coincidia com o ano novo, uma mulher era escolhida na multidão para representar Inana. E o rei, tido como uma figura divina, transformava-se em Dumuzi, seu amante.

Após os primeiros cânticos, os dois passavam para um aposento à parte, na torre do templo – o zigurate. Lá, a mulher conduzia o monarca. Ela deveria dançar sensualmente, perfumar as coxas com aromas silvestres e deitar seu amante no leito, onde manteriam relações sexuais.

O rito estendeu-se pelo Oriente Médio, até ser incorporado à cultura grega. Inana foi substituída por Afrodite. E a prática passou a ser chamada, entre os gregos, de hieros gamos, ou “sexo sagrado”.

Sexo santo

• Os rituais de sexo sagrado foram uma prática comum em diversos povos por quase um milênio. Os relatos mais antigos sobre sacerdotisas-prostitutas estão no épico Gilgamesh, escrito por volta de 2500 mil a.C., em que a deusa adorada é a babilônica Istar.

• Existem diversas explicações sobre a origem dos ritos sexuais. Uma das mais aceitas é a de que as celebrações derivem dos ritos de casamento de tribos primitivas. Em muitas tribos, a mulher, antes de casar-se, era entregue a um outro homem.

• O povo romano foi o último a ver o sexo como sagrado. As mulheres iam até o templo da deusa Juno Sospita e, em troca de favores, transavam com estranhos. O fim do costume é explicado pela expansão do Império. Durante as guerras, os romanos passaram a cultuar deuses – protetores dos soldados.

http://historia.abril.com.br/religiao/fazer-sexo-dinheiro-ja-foi-ato-sagrado-434113.shtml

domingo, 7 de junho de 2009

Piadas foram herdadas dos gregos da mesma forma que filosofia e democracia



Pesquisadora britânica diz que humor atual vem de 2.000 anos atrás.
Ela estuda o 'Philogelos', mais antigo livro de piada de que se tem notícia.

Essa é velha: um barbeiro, um careca e um professor estão viajando juntos. Eles precisam parar para acampar à noite, e revezam a vigilância das bagagens ao longo da noite. Quando é a vez do barbeiro ficar acordado, ele fica entediado e raspa a cabeça do professor. Quando o professor é acordado para seu turno, ele sente sua cabeça e diz: “que estúpido é esse barbeiro. Ele acordou o careca no meu lugar”. Se não teve tanta graça ler essa piada hoje, é bom saber que todas as piadas que têm graça atualmente devem muito a ela, que era bem popular na Grécia de 1.600 anos atrás.

“O humor antigo, o riso, foi herdado dos antigos gregos da mesma forma como herdamos a ideia de democracia, a filosofia”, explicou, em entrevista ao G1 a pesquisadora britânica Mary Beard, que vem analisando o “Philogelos”, mais antigo livro de piadas de que se tem registro. O livro traz uma lista com 260 brincadeiras no estilo desta acima.

O "Philogelos" pode ser visto quase como um elo perdido das piadas. Ele traz o formato de piadas como as que usamos até hoje, e faz com que tenhamos uma ideia muito simples e clara do que é uma piada.

À primeira vista, era de se esperar que o tipo de piadas de 2.000 anos atrás seria muito diferente, mas não. O humor da antiguidade, disse, era muito parecido com o atual. “O humor é universal. As pessoas de todo o mundo riem das mesmas coisas. Há uma herança maior desse humor no mundo ocidental, naturalmente", diz.

Quando pensadores começaram a tentar entender o que era o humor e o que fazia as pessoas rirem, durante a Renascença, eles se voltaram para a Antiguidade Clássica, para entender a idéia de piada. "Da Renascença, herdamos a estrutura de piada como é usada no mudo ocidental atualmente, com personagens semelhantes e frases de efeito parecidas. Aprendemos com os antigos, e acabamos reproduzindo mesmo dois milênios depois.”

Mudanças


Claro que as piadas antigas não são exatamente iguais às de hoje. Não rimos de tudo o que eles achavam engraçado na época, explicou. O humor tinha liberdade para ser mais politicamente incorreto, zombando de pessoas com deficiência, por exemplo, o que praticamente não existe mais atualmente.

Um tema frequente nas piadas da época estava a questão da identidade. Havia uma grande preocupação dos antigos com ideia de saber quem eles eram, e as piadas refletem um pouco isso. "Essa preocupação não existe mais atualmente, então as piadas sobre este assunto não funcionam mais tão bem atualmente. As piadas ajudam a entender um pouco a cabeça das pessoas da época.”

Uma outra piada do livro ajuda a exemplificar isso: Dois homens se encontram depois de muito tempo sem se verem. Um deles diz: “que estranho, me disseram que você tinha morrido”, e o outro responde: “bem, você pode ver que continuo vivo”, mas o primeiro discorda e replica: “A pessoa que me disse que você morreu é muito mais confiável de que você”.

Segundo Beard, não é possível falar em evolução no humor, mas percebe-se que ele, naturalmente, passou por mudanças com o tempo. “Hoje não rimos mais de problemas de identidade, temos um maior controle com o politicamente correto. Na época, não se fazia piada sobre crianças, que á algo muito popular nas piadas modernas. Há mudanças que acompanham a cultura, as piadas refletem a mentalidade da época, mas o formato básico continua o mesmo”, disse.




http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1052225-16107,00.html

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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