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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Desmatamento favorece mosquito transmissor da malária, aponta estudo

Cientistas encontraram mais larvas em áreas devastadas.
Amostras do inseto foram coletadas em 844 pontos da Amazônia peruana.

Do Globo Amazônia, em São Paulo


O desmatamento favorece a ocorrência do principal transmissor de malária na Amazônia, o mosquito Anopheles darlingi, aponta estudo publicado na edição de julho do “American Journal of Tropical Medicine and Hygiene”.

Cientistas analisaram larvas coletadas na água ao longo de 112 quilômetros da rodovia que liga Iquitos a Nauta, na Amazônia peruana. Os pesquisadores verificaram que esta espécie de mosquitos estava presente em 10,3% dos 844 pontos em que foi feita coleta de larvas.

Com imagens de satélite e observações em campo, eles concluíram que nos lugares onde o A. darlingi está presente, a cobertura florestal média é de 24,1%, comparado com 41% para os lugares sem a presença do inseto.

Intrigado com o rápido aumento dos casos de malária na Amazônia peruana nos anos 90, o grupo resolveu estudar a doença na região – em 1997 cerca de um terço da população local havia tido a doença. Em 2006, um estudo já havia documentado a maior incidência de Anopheles darlingi adulto em áreas desmatadas da floresta. Não está claro ainda qual é o mecanismo ecológico que causa esta variação na ocorrência do inseto.

William Pan, professor da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, um dos autores do estudo, está fazendo uma pesquisa adicional com a população humana da região. Um terço das pessoas que ele está estudando tiveram malária no último ano e, de acordo com Pan, a maioria delas vive em áreas desmatadas recentemente.

O Anopheles darlingi é o principal vetor de disseminação da malária também na Amazônia brasileira. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma criança morre pela doença a cada 30 segundos no mundo. Em 2006, de acordo com a OMS, a malária matou cerca de um milhão de pessoas, principalmente na África.

Fonte:http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1213754-16052,00-DESMATAMENTO+FAVORECE+MOSQUITO+TRANSMISSOR+DA+MALARIA+APONTA+ESTUDO.html

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Minc comemora continuidade na queda do desmatamento, mas diz que a "guerra" começa agora


Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizado às 16h21


Ao comentar os dados do desmatamento na região da Amazônia Legal referentes ao mês de maio, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) comemorou a "manutenção da queda do desmatamento" e foi além, prevendo que, em 2009, o Brasil deverá ter um balanço positivo histórico sobre a questão. "Vamos ter o menor desmatamento dos últimos 20 anos", afirmou.
"A guerra é agora, nos próximos meses até agora, quando tem menos chuva e o pessoal desmata mais. No histórico dos últimos dez anos, os piores meses são os de seca", disse Minc. No entanto, o ministro fez uma ressalva em relação ao mês de julho do ano passado, quando a taxa de desmatamento ficou em 323 km2. "A gente vai ter dificuldade de baixar esse número de julho, porque julho do ano passado foi o melhor desde sempre", lembrou o ministério, creditando o resultado ao fim do crédito oficial para desmatadores.

O ministro comparou os números referentes aos cinco primeiros meses do ano passado com o mesmo período deste ano, para destacar a queda constante. Em janeiro de 2008, a taxa de desmatamento na Amazônia foi de 638 km2, enquanto o primeiro mês deste ano registrou 222 km2. No acumulado de 2009, são cerca de 542 km2 desmatados.

"A soma destes cinco meses é menor do que foi verificado em janeiro do ano passado. É metade do número de abril do ano passado (quando foram registrados 1.123 km2 de desmatamento). Não há comparação", ressaltou o ministro.

Em maio, o desmatamento da floresta foi de 123 km2, área equivalente a 16 mil campos de futebol. Os números foram divulgados na manhã desta quarta (24) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base no sistema Deter, que detecta o desmatamento em tempo real.

Desmatamento apontado pelo Inpe (em km2):

Mês 2008 2009
Janeiro 638 222
Fevereiro 724 143
Março 145 17,5
Abril 1.123 36,8
Maio 1.096 123

A cobertura de nuvens na região permitiu visualizar 38% da área. Nos meses anteriores, apenas 20% da floresta puderam ser observados. Isso fez com que o registro do desmatamento fosse baixo nos meses de março e abril: 17 km2 e 37 km2, respectivamente. Em fevereiro, a área desmatada ficou em 143 km2, o que totalizou 197 km2 de floresta desmatada no trimestre.

Para Minc, a alta cobertura de nuvens não pode ser apontada como explicação única para a queda verificada. "A cobertura de nuvens está maior este ano do que no ano passado, mas não está maior do que a queda do desmatamento. A cobertura de nuvens está longíssimo de explicar a queda no desmatamento".

O ministro voltou a creditar a queda às ações de combate ao desmatamento e aos acordos que vem sendo fechados com setores como agricultura e pecuária, que têm influência sobre a preservação da região. "Nós estamos fazendo pactos com o setor produtivo. A soja, por exemplo, parou de desmatar a Amazônia".

O ministério também apresentou o total de multas aplicadas por crimes ambientais este ano. De janeiro até maio, foram 1.102 multas lavradas, que totalizaram R$ 806,4 milhões. As multas foram aplicadas pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal.

fonte:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/24/ult5772u4468.jhtm

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O desmatamento da Amazônia, miragem econômica para os brasileiros

LE MONDE

Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro (Brasil)


Não só o desmatamento progressivo da Amazônia tem consequências nefastas para o meio ambiente do Brasil e do planeta, como ele também não beneficia, a médio prazo, do ponto de vista econômico e humano, as populações que participam dele ou que o acompanham, ao se estabelecerem nas regiões desflorestadas. É essa a conclusão essencial de um estudo de campo conduzido por uma equipe internacional de seis pesquisadores e publicada, na sexta-feira (12), pela revista americana "Science".

Segundo os autores da pesquisa, o desflorestamento leva, em um estágio inicial, a uma melhora de vida das populações locais, que se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice, adotado pela ONU, é calculado a partir de três critérios: a expectativa de vida, o nível de renda e a taxa de alfabetização.

Ele progride tão rápido quanto a média nacional brasileira, ou até mais, ao longo da fronteira do desflorestamento. Mas, à medida que essa fronteira se desloca, os progressos do desenvolvimento humano diminuem: este último encontra nas regiões já desflorestadas um nível comparável - e baixo - àquele registrado nas zonas não desflorestadas.

O desmatamento e a extensão da agricultura e da pecuária às custas da floresta atraem para a fronteira "migrantes" de toda espécie - grandes fazendeiros, pequenos "colonos", camponeses sem-terra, madeireiros, comerciantes, garimpeiros - em busca de lucro ou simplesmente de uma vida melhor. A chegada desses brasileiros, menos pobres que a população local, contribui parcialmente para os progressos do IDH. Mas muitos deles também são mais pobres e menos instruídos que a média nacional. O boom do desenvolvimento se deve então, sobretudo, à exploração dos recursos naturais, facilitada por um melhor escoamento dos produtos graças às novas estradas asfaltadas, e à implantação da rede governamental de educação e saúde.

No entanto, esses progressos são efêmeros. O IDH cai rapidamente nas localidades das regiões desflorestadas, de acordo com o declínio de produtividade das atividades econômicas causado, por exemplo, pelo esgotamento dos recursos madeireiros ou pela degradação dos pastos. O estudo lembra que, no início dos anos 1990, mais de 75% das terras desflorestadas na Amazônia eram dedicadas à pecuária, e mais de um terço já foram abandonadas.

Essa pesquisa foi realizada em 286 municípios, em estágios diversos de desmatamento, que representam a imensa maioria do território e da população amazônica. Ela termina em 2000, ano dos últimos números de recenseamento conhecidos. Conclusão do estudo: "O atual modo de desenvolvimento da Amazônia está muito longe do desejável, seja para os homens, seja para a natureza".

O que fazer? "É preciso combinar as abordagens", explica uma das autoras do estudo, Ana Rodrigues, do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva no CNRS de Montpellier. "Valorizar mais as regiões desflorestadas. E, sobretudo, reduzir o desmatamento, promover o reflorestamento nas zonas degradadas, incentivar as populações florestais a conduzirem atividades de desenvolvimento sustentável". Por exemplo, remunerando os serviços voltados ao ecossistema pelos habitantes da floresta, como se começa a fazer no Brasil.

Lista de multinacionais
Em um relatório recente, o Greenpeace destacou que a pecuária intensiva de bovinos é responsável por 80% do desflorestamento. Segundo a organização ecologista, "no decorrer dos últimos anos, um hectare de floresta foi destruído a cada 18 segundos em média pelos criadores de gado". O Brasil se tornou o principal exportador de carne bovina, com um terço da tonelagem mundial.

O Greenpeace critica o governo por incentivar a pecuária, ao ajudar financeiramente as grandes empresas do setor e fechar os olhos para as explorações ilegais. Ele cita uma longa lista de multinacionais, compradoras de produtos provenientes de explorações envolvidas no desflorestamento ilícito.

Um intenso debate opõe atualmente ecologistas e exploradores rurais a respeito de um projeto de lei prestes a ser votado sobre a regularização fundiária na Amazônia. Em princípio - dar uma garantia jurídica aos agricultores, especialmente os mais vulneráveis - , o texto obtém unanimidade em seu favor.

Mas os ecologistas, que têm o apoio do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, acusam os parlamentares de terem distorcido o projeto ao introduzirem diversas cláusulas consideradas favoráveis demais ao agronegócio. O ministro espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida em seu favor.

Tradução: Lana Lim

fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/06/16/ult580u3761.jhtm

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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