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quarta-feira, 6 de julho de 2011

MANCHETES DOS PRINCIPAIS JORNAIS DO PAÍS - 06/07/2011

O Globo
Prefeitura do Rio quer vender sua sede para cobrir déficit
Proposta faz parte de pacote para cobrir dívida com a previdência, já em R$ 1 bi.


Capital de empresa de filho de ministro cresce 86.500%
Dilma manda Nascimento suspender licitações por 30 dias


Folha de S. Paulo

Governo suspende licitações de obras dos Transportes
Medida vale por 30 dias; pressionado por crise, ministério também veta aumento do valor de contratos em andamento 
País adotará medidas para conter o real, diz Mantega

Dilma menciona segundo mandato pela primeira vez

O Estado de S. Paulo
Após denúncias, Dilma manda Transportes suspender licitações
Medida vale por 30 dias; afastado, diretor do Dnit anuncia que está de férias

Governo fala em medidas para o câmbio e dólar sobe

Correio Braziliense
A farra dos poderosos...
Direitos Humanos: Somem provas de tortura a Dilma
Ministério da Defesa e AGU dizem que documentos sobre a atuação de suposto torturador de Dilma Rousseff teriam sido destruídos. Ministério Público contesta a informação.

Valor Econômico

Ações da Petrobras já estão abaixo do valor patrimonial

Estado de Minas

Suspensão de licitações afeta obras em Minas

Jornal do Commercio

Planos de saúde locais entre piores

Zero Hora

Escândalo adia obras em cinco BRs gaúchas

Brasil Econômico

Acusado de violação pelo Casino, Carrefour já acha fusão pouco provável

 FONTE: JORNAIS

domingo, 7 de junho de 2009

Piadas foram herdadas dos gregos da mesma forma que filosofia e democracia



Pesquisadora britânica diz que humor atual vem de 2.000 anos atrás.
Ela estuda o 'Philogelos', mais antigo livro de piada de que se tem notícia.

Essa é velha: um barbeiro, um careca e um professor estão viajando juntos. Eles precisam parar para acampar à noite, e revezam a vigilância das bagagens ao longo da noite. Quando é a vez do barbeiro ficar acordado, ele fica entediado e raspa a cabeça do professor. Quando o professor é acordado para seu turno, ele sente sua cabeça e diz: “que estúpido é esse barbeiro. Ele acordou o careca no meu lugar”. Se não teve tanta graça ler essa piada hoje, é bom saber que todas as piadas que têm graça atualmente devem muito a ela, que era bem popular na Grécia de 1.600 anos atrás.

“O humor antigo, o riso, foi herdado dos antigos gregos da mesma forma como herdamos a ideia de democracia, a filosofia”, explicou, em entrevista ao G1 a pesquisadora britânica Mary Beard, que vem analisando o “Philogelos”, mais antigo livro de piadas de que se tem registro. O livro traz uma lista com 260 brincadeiras no estilo desta acima.

O "Philogelos" pode ser visto quase como um elo perdido das piadas. Ele traz o formato de piadas como as que usamos até hoje, e faz com que tenhamos uma ideia muito simples e clara do que é uma piada.

À primeira vista, era de se esperar que o tipo de piadas de 2.000 anos atrás seria muito diferente, mas não. O humor da antiguidade, disse, era muito parecido com o atual. “O humor é universal. As pessoas de todo o mundo riem das mesmas coisas. Há uma herança maior desse humor no mundo ocidental, naturalmente", diz.

Quando pensadores começaram a tentar entender o que era o humor e o que fazia as pessoas rirem, durante a Renascença, eles se voltaram para a Antiguidade Clássica, para entender a idéia de piada. "Da Renascença, herdamos a estrutura de piada como é usada no mudo ocidental atualmente, com personagens semelhantes e frases de efeito parecidas. Aprendemos com os antigos, e acabamos reproduzindo mesmo dois milênios depois.”

Mudanças


Claro que as piadas antigas não são exatamente iguais às de hoje. Não rimos de tudo o que eles achavam engraçado na época, explicou. O humor tinha liberdade para ser mais politicamente incorreto, zombando de pessoas com deficiência, por exemplo, o que praticamente não existe mais atualmente.

Um tema frequente nas piadas da época estava a questão da identidade. Havia uma grande preocupação dos antigos com ideia de saber quem eles eram, e as piadas refletem um pouco isso. "Essa preocupação não existe mais atualmente, então as piadas sobre este assunto não funcionam mais tão bem atualmente. As piadas ajudam a entender um pouco a cabeça das pessoas da época.”

Uma outra piada do livro ajuda a exemplificar isso: Dois homens se encontram depois de muito tempo sem se verem. Um deles diz: “que estranho, me disseram que você tinha morrido”, e o outro responde: “bem, você pode ver que continuo vivo”, mas o primeiro discorda e replica: “A pessoa que me disse que você morreu é muito mais confiável de que você”.

Segundo Beard, não é possível falar em evolução no humor, mas percebe-se que ele, naturalmente, passou por mudanças com o tempo. “Hoje não rimos mais de problemas de identidade, temos um maior controle com o politicamente correto. Na época, não se fazia piada sobre crianças, que á algo muito popular nas piadas modernas. Há mudanças que acompanham a cultura, as piadas refletem a mentalidade da época, mas o formato básico continua o mesmo”, disse.




http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1052225-16107,00.html

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Pornografia e a autoajuda coincidem ao servirem-se da ilusão de liberdade individual", diz pesquisadora Michele Marzano

18/05/2009


Lluís AmiguetMichela Marzano pesquisa a pornografia, o "management" e o "coaching"


"Tenho 39 anos. Sou pesquisadora no Centre National de la Recherche Scientifique. Sou crente não praticante. A pornografia e a autoajuda coincidem ao servirem-se da ilusão de liberdade individual para perpetuar a exploração das pessoas por outras pessoas. Colaboro com o CCCB [Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona]."

Vivemos o melhor momento para desmascarar o embuste dos livros de gerenciamento pessoal, autoajuda, coaching...

Por que agora?

Michele Marzano: As crises evidenciam que nem sempre você pode ter o que quer, pois por mais que você queira, não conseguirá nada se antes não revelarmos que as regras do jogo da economia são enganosas, produzem desigualdade e punem a maioria de nós.

Não vejo nada de mau na autoajuda...

Michele Marzano: É perverso fazer você acreditar que tudo que dá errado para você é culpa sua, e que você deve melhorar, e que pelo contrário, as regras do jogo estabelecido por uma minoria em seu proveito não precisam de nenhuma melhora.

Alguns desses livros são divertidos...

Michele Marzano: Mas a ideologia que os alimenta, não. Leva a pensar, por exemplo, que se hoje você está desempregado, é porque você não desejou o sucesso o suficiente, nem se esforçou. Não só você é um perdedor e um fracassado, como isso é culpa sua, e isso absolve, aliás, todos os demais responsáveis por seu desemprego.

Antes havia perdedores simpáticos.

Michele Marzano: Hoje essa vigarice do autocrescimento impede isso: se você é um perdedor, é porque também é um vagabundo que não se deu ao trabalho de melhorar. Antes o sistema era paternalista: havia um empregador de quem saíam a todo momento as ordens que todos cumpriam, e se as coisas fossem mal, ele também se preocupava e cuidava dos seus...

Já não existem mais senhores assim.

Michele Marzano: Porque a partir de 1990 o capitalismo, para continuar crescendo, precisou de novos empregados empreendedores, já que as tecnologias da informação tornaram antiquada a estrutura patriarcal. Agora cada empregado deve ser capaz de tomar suas decisões pela empresa e assumir suas consequências.

Gente que saiba mandar em si mesma.

Michele Marzano: Na era digital, para serem produtivas as empresas devem manter uma fachada - só que é uma fachada horizontal: os patrões e seus capatazes determinam metas e os empregados as cumprem da forma que quiserem.

A famosa direção por metas.

Michele Marzano: É a ilusão da autonomia pessoal quando, na verdade, suas metas muitas vezes são impossíveis de serem cumpridas, ou só podem ser cumpridas se você desistir de tudo que não seja trabalhar. Os patrões te dão toda a liberdade para renunciar da maneira que quiser à sua própria liberdade. Pelo menos, quando impunham um horário, seu tempo livre era seu.

Mas o trabalho produz satisfação.

Michele Marzano: Essa é a armadilha - envolvida em todo esse palavreado de autoajuda - da felicidade pelo trabalho. Sustenta que o trabalho é o único caminho da realização pessoal até a felicidade. Dessa forma, você só pode ser feliz deixando seus patrões ricos. Antigamente calhava de você ser o pobre e inocente desgraçado; agora, se você não for feliz, além de tudo é um preguiçoso culpado por toda sua própria desgraça

Antigamente, trabalhar era uma maldição bíblica.

Michele Marzano: Era o preço do sustento. Na sociedade patriarcal era o modo cansativo, mas inevitável, de sustentar a família: hoje a economia precisa de mais envolvimento pessoal: exige executivos autoconvencidos que renunciam à família e aos amigos para investirem todas suas horas na empresa, o que os torna - acreditam os mais alienados - superhomens e supermulheres felizes e admirados.

Isso se a empresa funciona...

Michele Marzano: É o outro paradoxo: você acredita que tudo depende somente de você, mas na hora da verdade tudo depende dos resultados de sua empresa, que por sua vez podem vacilar, como agora, por uma crise financeira que começou a milhares de quilômetros por culpa daqueles que decidem e impõem as regras.

Também não poderíamos crescer sempre.

Michele Marzano: O crescimento tem limites, mas o sucesso ilimitado que a filosofia da autoajuda promete precisa da ilusão de que você é o único a impor os limites, como se o planeta não os tivesse. Enquanto você pode se permitir três carros e duas piscinas, o planeta e sua atmosfera não podem.

Às vezes, crescer é ser menor.

Michele Marzano: Sim, é menos pior que tenhamos "fracassado" em conseguir todos nossos objetivos, se com isso salvamos o que resta da Terra.

Apesar disso aqui estariam "pavimentando praias"...

Michele Marzano: Essa lógica da autoajuda propicia, na crise, enormes quantidades de sentimento de culpa, que por sua vez se transforma em depressão. Na Argentina e na França a psicanálise é uma religião, e os antidepressivos, seu sacramento; e nisso, os argentinos e franceses são os maiores do mundo.

Por quê?

Michele Marzano: Exatamente porque são países com egos enormes educados na fé ilimitada, na própria capacidade do controle de si mesmos e de seu destino, que é considerado como mero resultado das decisões tomadas ao longo da vida. As terapias breves, a PNL [programação neurolinguistica] e outras técnicas alimentam essa falácia do controle ilimitado, que não é nada mais que a ilusão infantil da onipotência.

E o resultado é que a sorte também existe.

Michele Marzano: Chame de sorte, destino, imponderável, do que quiser, mas trata-se da aceitação madura de que uma parte do que acontece conosco - por exemplo, esta crise financeira - não depende exclusivamente de nós.

Mas sim nossa atitude diante dela.

Michele Marzano: Vejo que você leu muita autoajuda.

Entrevistei muitos gurus.

Michele Marzano: Leia-os, mas às vezes é melhor fracassar. Fracasse, homem! Não sei se será mais feliz, mas certamente viverá mais tranquilo.

Tradução: Lana Lim

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lavanguardia/2009/05/18/ult2684u511.jhtm

"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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