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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Biólogo molecular pode ter inventado "vacina antirradiação"

Der Spiegel
Christoph Schult

Bombas sujas são uma das maiores ameaças às populações urbanas mundiais. Agora, um biólogo molecular norte-americano desenvolveu uma droga que talvez proteja contra os efeitos da radioatividade. Os militares estão animados, e as descobertas podem gerar bilhões em lucros.

É sexta-feira à tarde, o período do sabá se aproxima e o sol está baixo no céu do Mediterrâneo, o Restaurante Turquoise ao norte de Tel Aviv é um oásis de despreocupação. Todas as cadeiras estão tomadas, e a multidão está feliz.

Apenas um cliente, Yacov Reizman, parece sério, olhando uma pilha de documentos na mesa diante dele, de um estudo recentemente publicado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Usando um cenário hipotético, o estudo descreve as consequências médicas de um ataque terrorista envolvendo uma bomba radioativa em uma grande cidade americana. Ele conclui que dezenas de milhares morreriam imediatamente, enquanto centenas de milhares teriam ferimentos fatais pela chuva radioativa resultante.

Os resultados seriam ainda mais dramáticos em um país pequeno como Israel, diz Reizman, onde praticamente toda a população seria afetada em apenas poucas horas.

Contudo, Reizman, que foi piloto de caça da força aérea israelense, alega ter uma arma milagrosa contra tais catástrofes nucleares. Sua empresa, Cleveland Biolabs, desenvolveu uma droga para proteger as pessoas contra as consequências mortíferas da radiação nuclear.

De acordo com Reizman, basta uma simples injeção. Poucos dias atrás, o empresário de Nova York voltou ao seu país natal para apresentar sua invenção para autoridades de segurança israelenses.

Até agora, os médicos ficavam impotentes diante da chamada doença da radiação. A radiação ionizante destrói os blocos de construção das células, levando diretamente à morte celular. Também pode produzir mudanças no material genético que são transmitidas na divisão celular subsequente, contribuindo para o desenvolvimento de tumores. Os remédios até agora não ofereceram proteção alguma contra radiação a nuclear, exceto os comprimidos de iodo, que meramente impedem o iodo radioativo de se acumular na glândula tiróide.

Os efeitos do Cblb502, descoberto pelo geneticista americano Andrei Gudkov, devem ser muito mais amplos. O agente consiste de uma proteína derivada da bactéria salmonella. A proteína bacteriana se liga ao receptor da célula danificada pela radiação, que normalmente ativaria o sistema imunológico.

Isso por sua vez inibe o programa suicida da célula danificada, conhecido como apoptose, que normalmente seria ativado para impedir que esta célula prejudicasse o resto do corpo. A inibição da apoptose dá à célula tempo para iniciar mecanismos de reparo, o mesmo truque que uma célula de tumor usa para sobreviver no corpo humano apesar de sua mutação patológica.

Aprovação em dois anos
Gudkovo testou a droga com sucesso em camundongos e macacos Rhesus e já publicou os resultados na revista científica americana Science. Os macacos foram expostos a doses de radiação comparáveis aos níveis que as pessoas foram expostas após o desastre com o reator de Chernobyl de 1986. No experimento, 70% dos macacos que não receberam a droga morreram. Dentre os que foram tratados antes da exposição à radiação, mais de 60% sobreviveram. A droga teve sucesso inclusive quando foi injetada 72 horas após a exposição. Isso a tornaria particularmente adequada para uso após ataques radioativos e acidentes.

Agências de inteligência ocidentais há muito advertem dos perigos de uma bomba "suja", ou seja, um mecanismo explosivo contendo material radioativo. Para lidar com a ameaça, o Pentágono e as autoridades de saúde dos EUA já investiram US$ 40 milhões (em torno de R$ 80 milhões) no desenvolvimento da droga de combate à radiação.

O Cblb502 também poderia ser usado nos tratamentos de câncer, pois permitiria aos pacientes lidarem mais facilmente com a radioterapia. Isso, por sua vez, aumentaria a eficácia do tratamento em casos severos.

Espera-se que a droga seja aprovada nos EUA em dois anos. Enquanto isso, especialistas em radiação na Alemanha estão acompanhando os testes de perto. Um porta-voz do Instituto Federal de Drogas e Equipamentos Médicos chamou a abordagem de "inteiramente nova", mas acrescentou que a droga primeiro deve ser testada em seres humanos antes de poder ser aprovada na Alemanha. De fato, ninguém sabe se os resultados dos experimentos em macacos serão integralmente transferíveis.

Grandes empresas farmacêuticas também têm forte interesse em produzir a droga. Reizman e seus parceiros querem ver países como EUA e Israel estabelecerem estoques para suas populações. Eles acreditam que a droga terá vendas anuais de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 40 bilhões) no mundo todo.

A Cleveland Biolabs espera vender 2 milhões de doses apenas para os militares norte-americanos.

Tradução: Deborah Weinberg

Fonte de Origem: artigo publicado em 15//08/09, http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/08/15/ult2682u1276.jhtm

3 comentários:

  1. maneiro isso, nunca achei que fosse possível
    ainda mais tirando uma proteina da salmonella
    oO"

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"Na busca da sabedoria, o primeiro estágio é calar, o segundo ouvir, o terceiro memorizar, o quarto praticar, o quinto ensinar."Rabi Salomon Ibn Gabirol (Século XI; Espanha)

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